Dólar cai para R$ 5,17 após Suprema Corte dos EUA derrubar tarifas de Trump
Moeda americana teve queda de 0,99% e atingiu o menor valor desde maio de 2024
Economia|Da Reuters
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O dólar fechou a sexta-feira (20) em queda firme no Brasil e novamente abaixo dos R$ 5,20, acompanhando o recuo da moeda norte-americana no exterior após a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitar tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump.
O dólar à vista fechou a sessão em baixa de 0,99%, aos R$ 5,1766, o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou em R$ 5,1539. Na semana encurtada pelo Carnaval, a moeda norte-americana acumulou baixa de 1,03% e, no ano, queda de 5,69%.
Às 17h06, o dólar futuro para março -- atualmente o mais líquido no Brasil -- cedia 0,77% na B3, aos R$5,1840.
O recuo do dólar no Brasil esteve em sintonia com a baixa quase generalizada da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, após a Suprema Corte rejeitar as tarifas aplicadas por Trump com base em uma lei destinada a ser usada em emergências nacionais.
O tribunal decidiu que a interpretação de que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) concede a Trump o poder de impor tarifas interferiria nas atribuições do Congresso e violaria a doutrina das “questões principais”.
Essa doutrina exige que as ações do Poder Executivo de “vasta importância econômica e política” sejam claramente autorizadas pelo Congresso.
Em reação, o dólar despencou ao redor do mundo, atingindo a cotação mínima do pregão de R$ 5,1739 (-1,04%) no mercado brasileiro às 15h47, quando Trump concedia entrevista nos Estados Unidos prometendo novas medidas.
O norte-americano afirmou que assinará uma ordem para impor uma tarifa global de 10%, em conformidade com a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, e prometeu iniciar novas investigações comerciais.
“Na margem, o fim das tarifas reforça o movimento de reposicionamento global de portfólios estrangeiros, que favoreceu o real e a bolsa brasileira, mas a principal consequência deve ser o aumento da volatilidade cambial diante da incerteza sobre os próximos passos do governo americano”, disse André Valério, economista sênior do Inter, em comentário escrito. “Ainda assim, a tendência global de depreciação do dólar permanece.”
Às 17h13, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,09%, a 97,798.
Pela manhã, o Banco Central do Brasil vendeu apenas US$ 1 bilhão do total de US$ 2 bilhões ofertados em dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) simultâneos, para rolagem dos vencimentos de março.
No fim da manhã, o BC vendeu 35.100 contratos do total de 50.000 contratos de swap cambial tradicional, também para a rolagem de março.
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