Dólar fecha quase estável, a R$ 5,27, perto de mínimas em 4 meses
Moeda teve variação positiva de 0,05%, pondo fim a uma série de quatro baixas consecutivas em que recuou mais de 3%
Economia|Do R7

O dólar à vista ensaiou ajuste de alta, mas perdeu força e acabou fechando perto da estabilidade nesta quarta-feira (2), ainda nas mínimas em quatro meses e meio, conforme a moeda americana aprofundava a queda no exterior e o mercado aqui aguardava a decisão de juros do Banco Central.
O dólar negociado no mercado interbancário teve variação positiva de 0,05%, a R$ 5,2759 na venda, pondo fim, dessa forma, a uma série de quatro baixas consecutivas em que recuou mais de 3%.
A cotação variou nesta quarta-feira entre queda de 0,36%, a R$ 5,2543, pela manhã, e alta de 0,80%, a R$ 5,3155, logo depois do meio-dia.
Lá fora, o dólar acelerou a queda para 0,36% ante uma cesta de divisas de países ricos, o que acabou ajudando a esvaziar algumas ordens de compras por aqui e contribuindo para que o real fechasse quase estável.
De toda maneira, algumas moedas que, assim como a brasileira, se valorizaram recentemente devolviam parte dos ganhos na sessão, o que deu ao dólar fôlego para evitar a quinta queda seguida no Brasil.
O mercado operou na sessão mirando sobretudo as sinalizações de política monetária que o Banco Central pode emitir no comunicado a ser divulgado ao fim de sua reunião de dois dias. Investidores projetam nova alta de 1,50 ponto percentual na taxa Selic, que iria para 10,75% ao ano, deixando o Brasil com um dos maiores retornos ajustados por volatilidade entre os mercados emergentes.
"Quanto maior for a diferença entre a taxa local e a taxa internacional livre de risco (aqui adotamos a taxa dos Fed funds dos EUA), maior o fluxo esperado de moeda estrangeira para o país e, consequentemente, mais valorizada a taxa de câmbio doméstica (ficaria)", disseram Caio Megale, Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, da XP, em estudo sobre os cenários para o real.
Para eles, o real está mais fraco que o justificado pelos fundamentos econômicos, que indicariam taxa de câmbio entre 4,2 e 4,75 reais por dólar. "A nosso ver, todos os desequilíbrios e incertezas causados pela crise (sem precedentes) da Covid-19 ajudam a explicar, em alguma medida, o grande desalinhamento cambial no período recente", afirmaram.
Pela cotação atual, o real estaria, então, com excesso de depreciação, entre 20,4% e 10%.
Atraídos em parte pela perspectiva de aumento de retornos na renda fixa, os estrangeiros desmontaram ao longo de janeiro posições contrárias à moeda brasileira. E fevereiro começou na mesma direção, e em toada mais forte. Apenas no dia 1º, as vendas líquidas de dólar via contratos de dólar futuro, cupom cambial e swap cambial na B3 bateram US$ 2,04 bilhões, o dobro de janeiro inteiro.
O BofA (Bank of America) lembrou que os fluxos líquidos para portfólio no Brasil registraram em 2021 o primeiro saldo positivo desde 2015. "Em 2022, os fluxos devem continuar a migrar para renda fixa, como ocorreu no segundo semestre de 2021, seguindo taxas de juros mais altas", disseram em relatório.
O BofA espera ainda que o fluxo estrangeiro direto para o setor produtivo suba de 46,4 bilhões de dólares, em 2021, para 60 bilhões de dólares, neste ano, reforçando a oferta de moeda no país.















