Dólar fica mais caro pela sexta vez seguida e é vendido por R$ 3,92
Leve alta de 0,05% da moeda norte-americana foi guiada por preocupações diante do Brexit e ameaças de Donald Trump
Economia|Do R7

O dólar registrou nesta terça-feira (11) a sexta alta seguida e fechou o dia negociado a R$ 3,9207. A valorização de 0,05% da moeda norte-americana ocorreu mesmo com a atuação do BC (Banco Central) para conter as preocupações do exterior diante do Brexit e ameaças do presidente Donald Trump de paralisação do governo norte-americano.
Na sessão, a moeda norte-americana bateu a mínima de R$ 3,8892 logo após a abertura. Na máxima, durante a tarde, a divisa foi a R$ 3,9239.
O dólar acumula ganho de mais de 2% nas últimas sessões e terminou na véspera no maior valor desde 2 de outubro, o que levou o Banco Central a anunciar um novo leilão de venda da moeda com compromisso de recompra, ajudando na resiliência da moeda local.
"É muita indefinição. Ninguém tem a menor ideia de qual será o resultado e isso traz ansiedade e cautela", disse o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer.
Ele se referia à notícia de que parlamentares do partido da primeira-ministra britânica, Theresa May, estão confiantes de que conseguiram o número suficientes de cartas para provocar um voto de não confiança sobre a liderança da premiê, disse a sub-editora de política da emissora Sky News nesta terça-feira.
May tem encontrado dificuldades no acordo para o Reino Unido deixar a União Europeia. Depois de ter conseguido chegar a um consenso com o bloco europeu, corria o risco de não aprovar o texto no Parlamento no país. Na véspera, temendo uma derrota, preferiu suspender a votação do texto que iria à votação nesta terça-feira. Mais cedo, um porta-voz de May disse que o acordo seria colocado em votação em 21 de janeiro.
A notícia sobre o voto de não-confiança acabou reacendendo a cautela nos negócios globais e fazendo o dólar subir ante as divisas emergentes, como o peso chileno, e a apagar a queda ante real. A moeda também subia ante a cesta de moedas
O movimento ganhou reforço com ameaças de Trump, de que preferia uma paralisação do governo a ficar sem recursos para construir um muro na fronteira com o México.
Banco Central
"Tudo indica que a intervenção do BC será capaz de conter a pressão sobre a moeda estrangeira, sinalizando claramente que repetirá o movimento toda vez que fatores externos promoverem a desvalorização artificial da moeda nacional", escreveu mais cedo a corretora Correparti em relatório.
Para os analistas da corretora, o BC "manteve a coerência" ao chamar os leilões após a moeda norte-americana ter se aproximado do patamar de R$ 3,95.
O Banco Central vendeu integralmente mais US$ 1 bilhão em linha, no quarto leilão de novos contratos feitos desde o final de novembro pela autoridade, que ainda rolou mais US$ 1,25 bilhão que venciam no início deste mês. Em novos contratos, foram US$ 4 bilhões até o momento.
Somente nesta sessão, o BC vendeu 13.830 contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou US$ 4,84 bilhões do total de US$ 10,373 bilhões que vence em janeiro. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final da semana que vem, terá feito a rolagem integral.















