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Dólar permanece abaixo de R$ 4,90 apesar de aumento da tensão no Oriente Médio

Analistas esperam que o dólar possa chegar a R$ 4,80 no curto prazo, devido à manutenção de juros altos

Economia|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O dólar encerrou a terça-feira (12) cotado a R$ 4,89, mantendo-se abaixo de R$ 4,90 pelo terceiro dia consecutivo.
  • O fortalecimento do real se deve, em parte, à alta do preço do petróleo, que subiu mais de 3% devido a tensões geopolíticas no Oriente Médio.
  • Analistas apontam que a taxa de juros elevada e a melhoria nos termos de troca ajudam a proteger o real frente à aversão ao risco.
  • A inflação medida pelo IPCA subiu para 4,39% em 12 meses, indicando que o Banco Central deve manter uma postura cautelosa em relação à política monetária.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Analistas indicam que a inflação favorecem o real e evitam uma desvalorização mais acentuada do dólar Akhtar Soomro/Reuters - 03.12.2018

O dólar perdeu fôlego nas últimas duas horas de negociação no mercado local e encerrou a sessão desta terça-feira (12), próximo à estabilidade, na casa de R$ 4,89.

Em dinâmica similar à observada na segunda-feira (11), o real conseguiu, em grande parte, se descolar da onda de fortalecimento da moeda norte-americana no exterior provocada pelo aumento das tensões geopolíticas.


O impasse nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã fez os preços do petróleo saltarem mais de 3%, com o barril do Brent alcançando US$ 107 o barril.

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A avaliação de analistas ouvidos pela Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) é a de que a melhora dos termos de troca, com a escalada do petróleo, e a taxa de juros doméstica elevada mitigam os impactos da piora da aversão ao risco sobre a moeda brasileira.


A leitura do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de abril, embora em linha com as expectativas, reforçou a percepção de que o Banco Central será cauteloso no atual ciclo de calibração da política monetária.

Com máxima de R$ 4,9158, registrada no início da tarde, o dólar encerrou o dia a R$ 4,8954 (+0,08%). Foi o terceiro pregão consecutivo de fechamento abaixo da linha de R$ 4,90.


O real apresentou nesta terça o segundo melhor desempenho entre as principais divisas globais, atrás apenas do peso chileno.

A moeda americana já acumula baixa de 1,16% nas sete primeiras sessões de maio, após desvalorização de 4,36% em abril. No ano, as perdas são de 10,81%.


O head da Tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento, ressalta que, mesmo nos picos de estresse no exterior, o dólar apresenta fôlego muito limitado no mercado local.

Esse padrão ficou patente no pregão desta terça, com a moeda sem forças para se sustentar acima de R$ 4,90.

O real segue protegido pela perspectiva de manutenção de um ‘carry’ elevado nos próximos meses, diante da expectativa de que não haja espaço para uma taxa Selic abaixo de 13%, observa.

“Com a proximidade das eleições e nossos problemas fiscais, o dólar deveria estar acima de R$ 5,00. Mas a alta do petróleo favorece a balança comercial e, ao mesmo tempo, pressiona a inflação, impedindo o BC de cortar mais os juros. O IPCA de abril veio em linha com o esperado, mas esse ‘em linha’ já é ruim, porque é um nível muito elevado”, afirma Chiumento, que vê chance de o dólar continuar caindo e se aproximar de R$ 4,80 no curto prazo.

O IPCA desacelerou de 0,88% em março para 0,67% em abril, variação idêntica à mediana da pesquisa Projeções Broadcast.

No acumulado em 12 meses, o índice acelerou de 4,14% para 4,39% — resultado também de acordo com a mediana. Casas relevantes, como Itaú e Bradesco, apontaram piora qualitativa, com pressão altista em preços subjacentes.

A economista-chefe da Buysidebrazil, Andrea Damico, lembra que o Banco Central já ressaltou diversas vezes que está conduzindo apenas um “mero processo de calibração” da política monetária, que vai seguir em terreno restritivo.

O Brasil, destaca a economista, continua a oferecer uma das maiores taxas de juros do mundo, tanto em termos reais quanto nominais.

“Em outras palavras, não haverá convergência para a taxa neutra no curto prazo, garantindo um diferencial de juros sustentado”, afirma Damico, acrescentando que fatores como a melhora dos termos de troca, a matriz energética diversificada e a distância geográfica dos conflitos geopolíticos também tornam o real mais atraente.

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operou em alta firme e rondava os 98,300 pontos no fim da tarde, após máxima aos 98,460 pontos.

As taxas dos Treasuries avançaram em bloco, embora de forma modesta. O retorno do papel de 2 anos superou 4% na máxima do dia.

Divulgado pela manhã, o CPI (Índice de Preços ao Consumidor) dos EUA subiu 0,6% em abril ante março e 3,8% na comparação anual, praticamente em linha com as expectativas.

Já o núcleo do CPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, avançou 0,4% no mês e 2,8% na comparação anual.

A avaliação predominante de analistas é a de que os números reforçam a perspectiva de postura cautelosa por parte do Federal Reserve, o banco central norte-americano.

À tarde, o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou que o CPI reforçou as preocupações com a pressão inflacionária.

Em fala que sugere ausência de espaço para cortes de juros, Goolsbee disse que não há, no momento, desequilíbrio no duplo mandato do BC norte-americano, uma vez que o mercado de trabalho está basicamente estável, enquanto a inflação avança.

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