Dólar sobe a R$ 4,79 e Ibovespa recua, apesar de BC sinalizar corte de juros
A moeda americana fechou em alta de 0,68%; o índice de referência do mercado acionário caiu 0,61%, a 117.522,87 pontos
Economia|Do R7

O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (27), em mais uma sessão de correção na bolsa paulista, mesmo após o Banco Central sinalizar claramente a possibilidade de começar o ciclo de flexibilização monetária em agosto.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,61%, a 117.522,87 pontos. Na máxima, em uma primeira reação à ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, chegou a 119.211,58 pontos. O volume financeiro somou R$ 25,3 bilhões.
Já o dólar fechou a terça-feira em alta em relação ao real. A moeda americana à vista fechou o dia cotada a R$ 4,7985 na venda, com alta de 0,68%.
Pela manhã, o dólar chegou a recuar, marcando a cotação mínima de R$ 4,7510 (-0,32%) às 9h26, seguindo a tendência mais recente de baixa na comparação com a moeda brasileira e em sintonia com o exterior, no qual a divisa americana também cedia.
Mas perto das 10h, o dólar migrou para o positivo. Por trás do movimento estiveram a divulgação da ata do último encontro do Copom e o resultado do IPCA-15 de junho, ambos com indicações de que o início do ciclo de cortes da taxa básica Selic poderá começar em agosto.
Análise
Para o analista Alison Correia, da casa de análise Top Gain, o mercado local experimentou mais uma sessão de ajuste, após semanas de altas, na expectativa de uma possível sinalização do BC sobre o corte na Selic, o que acabou acontecendo nesta sessão.
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária mostrou que a maioria dos membros do Copom vê chance de iniciar um afrouxamento monetário "parcimonioso" no próximo encontro, a depender da continuação do processo desinflacionário em curso.
O documento, divulgado nesta terça-feira, refere-se à reunião da semana passada, quando o BC manteve a Selic em 13,75% ao ano e atrelou decisões futuras aos dados econômicos.
Economistas do Itaú Unibanco revisaram suas expectativas e agora esperam que o Copom comece reduzir a taxa em agosto, com um corte de 0,25 ponto percentual. Antes, estimavam esse movimento apenas em setembro.
"Apesar das ressalvas mais duras, considerando que a maioria prevalece e a mensagem explícita... Mudamos nosso cenário para o restante do ano", afirmou a equipe chefiada pelo ex-BC Mario Mesquita, em relatório enviado a clientes.
O Itaú agora espera quatro cortes, sendo dois cortes de 0,25 ponto seguidos por duas reduções de 0,50 ponto, levando a Selic para 12,25% no fim de 2023. Antes, previa três cortes a partir de setembro, com a Selic encerrando o ano em 12,5%.
Na visão de Correia, da Top Gain, a sinalização do BC é uma notícia positiva para a Bolsa, "sem sombra de dúvida", mas que vem após uma sequência de ganhos e com várias instituições já tendo se posicionado antecipadamente para tal cenário.
No mercado, a expectativa majoritária já era de um corte de 0,25 ponto em agosto, conforme as duas últimas pesquisas Focus.
Alguns profissionais do mercado também citaram como argumento para a correção na Bolsa a decisão do BC de elevar a estimativa de taxa de juros real neutra de 4% para 4,5%, bem como a visão de que o ciclo de corte não deve ser longo.
Para Alan Dias Pimentel, especialista da Blue3 Investimentos, o fato de o BC mostrar que ainda não está confortável em reduzir os juros ajudou no movimento de realização de lucros.
Até a véspera, o Ibovespa acumulava, em junho, alta ao redor de 9%. Da mínima intradia do ano apurada em março, quando trabalhou abaixo dos 97 mil pontos, o ganho era de cerca de 22%.
Correia chamou atenção para o fato de o semestre fechar na sexta-feira, o que faz com que muitos investidores e gestores embolsem parte dos ganhos recentes.
No exterior, Wall Street teve uma sessão positiva, com dados econômicos otimistas dos Estados Unidos acalmando preocupações sobre uma recessão iminente desencadeada pelos aumentos agressivos da taxa de juros pelo Federal Reserve.















