Economia Sem Paletó # 8: Poupança rende menos que Tesouro Direto, mas bate Fundos de Investimento
Em tempos de crise, veja um comparativo dos rendimentos no Brasil
Economia|Do R7
Considerado o investimento mais conservador que existe, a caderneta de poupança é a modalidade que mais atrai investidores no Brasil. Atualmente, existem mais de 100 milhões de aplicações em poupança, que totalizam R$ 665 bilhões guardados — quase 10% do PIB brasileiro em 2016.
Mas afinal, quais investimentos são melhores e mais seguros do que a poupança? O economista Richard Rytenband explicou as principais alternativas no programa Economista Sem Paletó, que foi ao ar nesta segunda-feira, na página do R7 no Facebook. Assista ao programa:
Desde o início da crise econômica brasileira, em 2014, a inflação e a taxa básica de juros (Selic) sofreram importantes mudanças. Esses foram os fatores fundamentais na mudança de rendimento da poupança e de outros investimentos.
Veja no gráfico abaixo o rendimento real da poupança, quando se avalia o desempenho do investimento, excluindo a inflação.
— O que adianta, por exemplo, você ganhar em uma aplicação financeira 10%, mas o preço de tudo, na média, subiu 20%. Mesmo com você ganhando, percebe que está conseguindo menos coisas agora?
De 1999 a 2016, você teve dois anos que a poupança perdeu da inflação oficial: em 2002 e 2015. Entre 2010 e 2014, a poupança no Brasil alcançou ganhos “achatados”, menores a 1%. Para Rytenband, esses ganhos são muito baixos.
— Rendeu abaixo de 1%. ganhou da inflação, mas ficou muito próximo [de zero]. O poupador manteve seu poder de compra, mas poderia ter feito aplicações, como no Tesouro Direto que teria ganhos muito maiores do que esse.

As alternativas à poupança mais comuns são o Tesouro Direto, o CDB (Certificado de Depósito Interfinanceiro) e os Fundos DI.
O Tesouro Direto tem várias opções, sendo a Tesouro Selic uma das mais seguras, pois ela acompanha a taxa básica de juros.
Já o fundo DI, que vai perseguir a taxa que uma instituição financeira cobra para emprestar para outra, é preciso observar muito bem a taxa de administração, o valor cobrado para gerenciar o seu dinheiro.
— É muito comum uma taxa de administração de 4%, principalmente para valores menores. Então muito cuidado. Só entre em fundos de investimento com baixíssima taxa de administração. Fora disso, não vale a pena. (...) Quanto maior o horizonte com uma taxa de administração alta, maior será o estrago.
Veja o desempenho dos rendimentos nos dois gráficos abaixo. O primeiro mostra o que aconteceu com R$ 1.000 investidos em 2016. O segundo mostra o mesmo rendimento para dois anos, 2015 e 2016.


Rytenband lembra ainda de um costume muito comum no Brasil: correntistas girando no cheque especial que se recusam a cobrir o rombo na conta com recursos que estão na poupança. Para o economista, o melhor investimento, em primeiro lugar, é se livrar das dívidas.
— Toda dívida é frágil, porque se não você vai entrando na bola de neve, daqui a pouco você vai ver quanto você está pagando de juros, e vai ser maior do que todas as suas outras despesas domésticas.















