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Eletrobras vê vários interessados em distribuidoras e estima leilão em 4 de maio

Economia|Do R7

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SÃO PAULO (Reuters) - A Eletrobras prevê vários interessados em suas distribuidoras de energia, muitos deles tradicionais companhias que já atuam no setor no Brasil, disse nesta quarta-feira o presidente da elétrica estatal, Wilson Ferreira Jr., que indicou que a licitação para privatização dessas concessionárias deve ocorrer em 4 de maio.

"Os interessados principais neste momento são os que já estão no Brasil, os operadores tradicionais", afirmou Ferreira a jornalistas, apontando Equatorial, Energisa e a italiana Enel entre as interessadas.

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"Alguns deles já fizeram mais... já fizeram diligências. E têm demonstrado interesse nessas concessões", adicionou.

A Reuters publicou em 9 de março que a Energisa, que controla nove distribuidoras, realizou uma due dilligence sobre as concessionárias da Eletrobras.

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Segundo Ferreira, as distribuidoras da estatal "são grandes oportunidades", uma vez que há muito espaço para melhorar os indicadores.

"Porque como é que cria valor em empresa de distribuição? É importante que vocês saibam. Você tem que ter primeiro perdas reais menores do que as perdas regulatórias. A nossa está maior. Você tem que ter custos operacionais menores do que os custos regulatórios. O nosso está maior...", afirmou.

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As distribuidoras que a Eletrobras quer vender no Norte e Nordeste, que operam em Acre, Alagoas, Amazonas, Roraima, Rondônia e Piauí, são deficitárias e acumularam dívidas bilionárias.

Para viabilizar a privatização, a holding elétrica assumiu 11,2 bilhões de reais em dívida das distribuidoras, além de possíveis passivo extras que surjam para as empresas junto a fundos setoriais, como a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), que custeia subsídios no setor elétrico.

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Mas a Eletrobras avalia que decisões judiciais e mudanças legislativas levarão a um recálculo desses passivos, que então se tornariam créditos a receber no valor de até 8,5 bilhões de reais.

Esses créditos estão sendo discutidos com a agência reguladora Aneel.

Fiscalizações preliminares da Aneel haviam apontado que as distribuidoras precisariam devolver até 4 bilhões de reais aos fundos do setor, em um valor que incluía uma cobrança junto à Eletroacre que foi cancelada após uma reavaliação dos técnicos.

A distribuidora no Acre tem 163,25 milhões de reais a receber de um fundo, segundo a mais recente avaliação de técnicos da Aneel, de acordo com documento visto pela Reuters nesta semana. Anteriormente, o órgão regulador cobrava que 275,25 milhões de reais fossem devolvidos pela empresa.

O CEO da Eletrobras reafirmou que a companhia espera ter uma solução no âmbito administrativo para a discussão de tais valores, e ressaltou que poderia entrar na Justiça para garantir os alegados direitos da empresa.

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MODELAGEM

O leilão das distribuidoras da Eletrobras prevê um preço simbólico para cada empresa, de 50 mil reais, associado a obrigações de investimentos e aportes de recursos nas concessionárias.

Pelas regras da licitação, o vencedor da disputa por cada concessionária deverá realizar aportes nas empresas após a compra que variam de cerca de 240 milhões de reais nas elétricas de Rondônia e do Acre a um máximo de 721 milhões, na Cepisa, do Piauí.

Somadas as seis distribuidoras, o aporte imediato de capital exigido será de 2,4 bilhões de reais.

O valor representa cerca de 30 por cento do total de investimentos previstos para os cinco primeiros anos de operação das distribuidoras, estimados em 7,8 bilhões de reais, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tem assessorado o processo de desestatização.

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(Por Laís Martins)

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