Em encontro, analistas dizem que imprensa deve mergulhar na era digital
Economia|Do R7
Miami (EUA), 24 jun (EFE).- Na tentativa de tornar o negócio da imprensa novamente rentável, os meios de comunicação devem realmente adotar a era digital, em vez de continuar na fracassada tentativa de se adaptar à ela, apontaram jornalistas e especialistas dos Estados Unidos e da América Latina reunidos nesta quarta-feira em Miami. Os profissionais da comunicação e analistas exploraram o processo de transformação digital da imprensa durante a conferência SIP Connect 2015, realizada pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). "Precisamos de negócios saudáveis para sustentar um bom jornalismo", afirmou Matthew Sanders, jornalista do Deseret Digital Media, de Salt Lake City. Sanders ressaltou que "esta tendência de adaptação é uma tragédia", que só mudará quando as audiências realmente adotarem totalmente as novas tecnologias, especialmente os dispositivos móveis. "Eles (os leitores) se perguntam: 'Por que ainda nos tratam como um cliente de periódico'", questionou Sanders, um dos palestrantes deste encontro, que vai até sexta-feira. Ricardo Trotti, diretor da SIP, falou no mesmo sentido, e considerou que os jornalistas enfrentam o "grande desafio" de uma tecnologia que evolui muito rapidamente, da mesma forma que transformam os hábitos de consumo das pessoas. "O tema digital é muito menos maleável como plataforma. Não sabemos o que vai acontecer em cinco anos", disse Trotti à Agência Efe Ele enfatizou que sempre será fundamental "a prova, o teste e a experimentação, mas sempre com bom conteúdo". "É uma perseguição contínua que nós jornalistas vamos ter para voltar a seduzir o público com nosso bom conteúdo. A era digital é como a felicidade, está aí, ninguém a tem, sempre se persegue", acrescentou Trotti. Para Alberto Ibargüen, presidente da Knight Foundation, a maior organização filantrópica da área jornalística, a experimentação é fundamental para explorar formas de rentabilidade do negócio e de envolver os leitores com o conteúdo. Ibargüen disse à Efe que em uma escala de um a dez, a evolução da internet talvez esteja num nível dois, talvez três, como explicou a ele um professor do prestigiado Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT). "Falta muito ainda; por isso o nosso empenho nosso no princípio de investir em experimentos para ver o que as pessoas vão usar, como vão usar e como vão avaliar a informação, segundo a tecnologia", indicou Ibargüen, ex-diretor do jornal "Miami Herald" e principal orador de hoje. Sanders, assim como Ricardo Roa, jornalista do jornal argentino "Clarín", destacou a necessidade de operar administrativamente o tema digital como "um negócio à parte". A conferência hoje centrou seu debate nos móveis (smartphones e tablets, por exemplo), como plataforma prioritária a explorar, por sua consolidação como meio de maior penetração de audiência. "Os móveis são a próxima onda de perturbação, e não estamos sendo amigáveis com ele", explicou Sanders, fazendo eco a outros expositores que evidenciaram que há um desconhecimento e desperdício desta plataforma. "Fala-se muito em plataformas móveis, mas poucos sabem o que são", destacou David Ho, diretor-executivo de Móveis do "Wall Street Journal". "O móvel contém contatos, família, jogos, fotos, a parte íntima da pessoa, e quando enviamos notícias (temos que levar em conta) que estamos fazendo para sua parte mais íntima", ponderou Ho. EFE ims/cd (vídeo)















