Economia Estatais disparam na Bolsa após 1º turno, com mercado de olho em resultados de Congresso e estados

Estatais disparam na Bolsa após 1º turno, com mercado de olho em resultados de Congresso e estados

Ações de empresas como Petrobras e Sabesp tiveram alta nesta segunda (3) com fortalecimento de partidos de centro e direita

Reuters
Fachada da sede da Petrobras, empresa cujas ações se valorizaram na segunda (3)

Fachada da sede da Petrobras, empresa cujas ações se valorizaram na segunda (3)

REUTERS/Sergio Moraes

Ações de empresas de controle estatal, como Petrobras e Sabesp, disparavam na Bolsa paulista nesta segunda-feira (3), depois de o primeiro turno das eleições no Brasil mostrar uma disputa presidencial mais apertada e o fortalecimento de partidos de centro e de direita no Congresso e nos estados.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o candidato mais votado na eleição presidencial deste domingo (2), mas disputará um tenso segundo turno com o presidente Jair Bolsonaro (PL), que espera conquistar a reeleição. O atual chefe do Executivo nacional superou as estimativas das principais pesquisas de opinião e ficou a pouco mais de 5 pontos de distância do ex-presidente.

O PL, partido de Bolsonaro, garantiu as maiores bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado, elegendo, ainda, uma série de ex-ministros e aliados, como parte de uma onda bolsonarista.

Entre agentes financeiros, o entendimento é de que, mesmo que Lula saia vitorioso no segundo turno, a composição do Congresso Nacional dificultará mudanças relevantes em reformas já aprovadas, ou a realização de medidas radicais.

Na opinião de Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos, os novos membros escolhidos para o Congresso diminuem as incertezas do mercado. "Caso Lula seja eleito, ele vai ter dificuldade para aprovar medidas radicais ou extremas; e, caso Bolsonaro seja reeleito, talvez tenha perspectiva de continuidade da agenda liberal", afirmou.

Embalada ainda pela forte alta de preços do petróleo no exterior, Petrobras PN saltava 8,83% nesta segunda, a R$ 32,43, enquanto Petrobras ON avançava 8,71%, a R$ 35,96. Banco do Brasil ON tinha elevação de 7,29%.

Nos estados, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro de Bolsonaro, garantiu vaga no segundo turno para o governo de São Paulo, enquanto Romeu Zema (Novo) foi reeleito governador de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país.

Sabesp ON saltava 17,24%, a R$ 58,15, tendo chegado a R$ 59,98 na máxima, até as 15h. Para analistas do Bradesco BBI, se Tarcísio for eleito, "a probabilidade de privatização [da Sabesp] seria bastante elevada".

No governo de Jair Bolsonaro, Freitas promoveu uma agitada agenda de concessões e privatizações do setor de infraestrutura no Brasil, buscando investimentos privados em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, e menos em arrecadação com outorgas.

"A nosso ver, a potencial privatização da Sabesp levaria algum tempo para acontecer de fato [talvez apenas no segundo ano do mandato do próximo governador], mas, como a ação está relativamente barata, podemos ver o mercado se animando", disseram analistas do Bradesco BBI.

A Sabesp é a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. 

Eles também destacaram Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais S.A.) e Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), citando que a plataforma de Zema é pró-privatização e, por isso, é provável que ambas voltem a ser destaque. Entretanto, ponderaram que será necessário respaldo legislativo, o que não houve no primeiro mandato.

"Independentemente disso, a primeira empresa a ser vendida (depois da Codemig, a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais) provavelmente seria a concessionária de água Copasa (não a Cemig). Isso porque os políticos locais e os mineiros são menos "afetuosos" com a Copasa — qualidade de serviço é um problema — do que com a Cemig, e mudar a lei para vender a Copasa primeiro seria um passo inicial mais fácil", diz o Bradesco BBI.

Na tarde desta segunda, Cemig PN subia 9,2%, e Copasa avançava 12,05%.

No Paraná, onde Ratinho Junior (PSD) foi reeleito também em primeiro turno, os analistas do banco de investimento afirmaram não esperar nenhum movimento de privatização no curto prazo para Copel (Companhia Paranaense de Energia) e Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná).

"Talvez, após a bem-sucedida privatização da Eletrobras, haja espaço para o Paraná cogitar vender a Copel — e a Sanepar —, mas essa é uma discussão que ainda não começou, até onde sabemos", afirmaram os analistas, em nota, a clientes.

Copel PNB subia 2,58%, e Sanepar Unit tinha alta de 5,83%.

Últimas