Frigorífico diz que Rússia suspendeu importação de carne do Brasil
Restrição atinge carnes bovinas; Ministério da Agricultura não confirma
Economia|com R7

Um dos maiores exportadores de carne do Brasil, o frigorífico Minerva informou nesta terça-feira (21) que o serviço de fiscalização veterinária e fitossanitária da Rússia (Rosselkhoznadzor) suspendeu temporariamente as importações de carne bovina do Brasil.
A medida "ainda não confirmada pelo Ministério da Agricultura" brasileiro, disse a companhia em comunicado ao mercado.
Segundo a Minerva, a Rússia comprou 6,6% das exportações da empresa nos últimos 12 meses encerrados em 30 de setembro.
"Graças à atual diversificação geográfica da Minerva na América do Sul, as exportações do Brasil para a Rússia serão substituídas para outros destinos e a demanda russa será redirecionada para as unidades no Paraguai, Uruguai e Argentina, a fim de anular o efeito desta suspensão", destacou a empresa no comunicado.
O Ministério da Agricultura informou ao R7 que uma videoconferência está agendada para esta semana entre os serviços de defesa agropecuária dos dois países para tratar do assunto e que a reunião, por enquanto, está mantida. Leia a nota enviada pela pasta:
"O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informa que nesta terça-feira (21) técnicos do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) se comunicaram, por meio de videoconferência, com integrantes do Rosselkhoznadzor, o Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Rússia, para tratar da presença de ractopamina na carne suína brasileira exportada para aquele país.
De acordo com o Dipoa, o Brasil utiliza o sistema de segregação de suínos para a exportação de carne para Rússia, o que impossibilitaria a detecção de ractopamina conforme informação prestada pelo Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária russo.
Diante das informações prestadas pelo Rosselkhoznadzor, o Mapa solicitou o envio dos certificados do Serviço de Inspeção e os respetivos laudos laboratoriais indicando a presença do estimulante de crescimento para que possa fazer uma investigação interna e, consequentemente, as correções necessárias em caso positivo.
Os documentos foram entregues à Embaixada Brasileira em Moscou e estão sendo traduzidos e enviados para o Brasil até amanhã, segundo informações do Dipoa.
O Mapa informa ainda que até o presente momento não recebeu por parte do governo russo nenhuma notificação de suspensão das carnes bovina e suína brasileira, mas apenas a notificação sobre a presença de ractopamina."
Estimulante de crescimento
O comunicado da Minerva ocorre um dia após a agência russa de fiscalização anunciar oficialmente a suspensão das importações, a partir de 1º de dezembro, de carnes bovina e suína produzidas no Brasil.
A decisão foi tomada após testes em laboratório na Rússia encontrarem substâncias como ractopamina e outros estimulantes para o crescimento da massa muscular dos animais. "Infelizmente, o Rosselkhoznadzor é forçado a afirmar que, de acordo com os estudos laboratoriais, os estimulantes de crescimento banidos foram novamente detectados nos produtos de criação de gado que chegam à Rússia do Brasil em 2017", afirmou ontem a agência de fiscalização.
O Rosselkhoznadzor informou ainda que enviou uma proposta ao Ministério da Agricultura do Brasil, em 16 de novembro, mas, "no entanto, o diálogo com o lado brasileiro não ocorreu até o presente".
Também na segunda-feira (20), o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, negou que a Rússia tinha fechado seu mercado às carnes brasileiras. "Eu não considero isso como um mercado fechado, mas uma coisa que acontece permanentemente nas fiscalizações. É para isso que elas existem. Não está fechado não, acho que são três ou quatro empresas que foram citadas que apareceram com esse problema. O restante continua trabalhando".
Blairo disse que a ractopamina é permitida em alguns países, mas este não é o caso da Rússia. Ele afirmou que o ministério tem programas de rastreamento que buscam garantir que o aditivo não esteja presente nos carregamentos destinados ao mercado russo.
"Agora, se alguma empresa fraudou ou deixou passar ou não conseguiu controlar isso, compete sim a eles fazerem as observações e a nós fazermos as correções aqui".















