Gastou demais em 2013? Veja onde conseguir dinheiro emprestado
Antes de pegar grana de banco ou financeira, especialistas recomendam checar juros e prazo
Economia|Do R7*

Se você faz parte daquele grupo que abusou dos gastos em 2013 e começou 2014 endividado, a solução para fugir dos juros altos e quitar os débitos abertos pode estar nos empréstimos bancários. Mas há várias modalidades de crédito. Por isso, antes de escolher, vale a pena pesquisar taxas e barganhar as melhores condições com seu banco.
Contratar um empréstimo pessoal, por exemplo, está cada vez menos burocrático. Dá para pedir dinheiro emprestado ao banco no caixa eletrônico, já que as linhas de crédito são pré-aprovadas. O consumidor, porém, deve se atentar para não cair em armadilhas ao tentar quitar as dívidas.
O economista da FGV (Fundação Getulio Vargas) Samy Dana explica que o primeiro passo para o devedor é pegar dinheiro emprestado com o objetivo exclusivo de sair do sufoco — portanto, melhor evitar pegar grana do banco para, simplesmente, gastar. Dana alerta que o correntista deve avaliar não só a taxa de juros, mas também o prazo de pagamento.
— As pessoas se atentam geralmente à taxa de juros, mas este não é o único fator. Ficar devendo 100% durante um dia é muito melhor do que dever 99% durante 20 anos. Então, as pessoas têm que olhar a combinação entre taxa de juros e prazo de pagamento.
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O Procon-SP faz, todo mês, um levantamento dos juros cobrados pelas principais instituições bancárias do País para o empréstimo pessoal. Em dezembro, as taxas variaram de 3,51% a 6,35% ao mês conforme o banco (veja arte abaixo). A diretora de estudos e pesquisas do Procon-SP, Valéria Garcia, explica que a instituição pesquisa taxas do empréstimo pessoal e do cheque especial "porque são os empréstimos que as pessoas mais fazem".
— Essas duas modalidades são as que apresentam as taxas de juros mais altas, junto com o cartão de crédito. Nós recomendamos evitar ao máximo entrar no cheque especial ou no empréstimo pessoal. Se tiver que entrar no cheque especial, que seja por pouco tempo e apenas em caso de emergência.
Cartão de crédito
Pior que o cheque especial, que tem juros médios de 160% ao ano (8,33% ao mês), apenas o cartão de crédito. A economista do Procon-SP reconhece que "o cartão de crédito pode ser ótimo para quem sabe usar, porque dá até 40 dias para pagar". No entanto, avisa: o ideal é pagar a fatura cheia.
— [É comum] as pessoas pagarem o mínimo ou só metade. Se você pagar o mínimo, o valor que você pagou é equivalente ao valor dos juros e das taxas, ou seja, é como se você não tivesse pago nada da dívida. É assim que começa a bola de neve.
Troca de dívida
Se você tem dívidas com o cartão de crédito ou usou o cheque especial, os economistas ouvidos pela reportagem do R7 recomendam: é melhor pegar dinheiro emprestado em outra linha de crédito e pagar as dívidas do cartão e do cheque especial, já que essas duas modalidades têm os juros mais caros.
Samy Dana, da FGV, alerta que o empréstimo pessoal é uma boa alternativa.
— Se perceber que não vai ter condições financeiras de quitar todos os seus compromissos, o que você vai fazer é buscar a taxa mais barata com menor prazo possível para sair do sufoco.
A diretora do Procon-SP lembra outra opção para os endividados: o crédito consignado, "que tem taxas de juros menores e o valor é debitado direto no rendimento do consumidor, seja no holerite, seja na pensão do INSS".
— No caso do consignado, o que favorece é a taxa menor porque o risco do banco ou da financeira é menor. O ponto negativo é que a renda vai diminuir. Antes de fechar qualquer empréstimo, porém, vale a pena procurar seu banco para pedir taxas menores em função do relacionamento do correntista com a instituição. É importante barganhar.
*Colaborou Alexandre Garcia, estagiário do R7















