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Governo central tem déficit primário de R$22,979 bi em setembro, 2º pior da história para o mês

Economia|Do R7

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BRASÍLIA (Reuters) - O governo central, formado por Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, teve déficit primário de 22,979 bilhões de reais em setembro, o segundo pior para o mês na série iniciada em 1997, divulgou o Tesouro nesta sexta-feira.

O dado, entretanto, veio melhor que o rombo de 24,2 bilhões de reais projetado para o mês por analistas, segundo pesquisa Reuters.

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No mês, a receita líquida subiu 3,1 por cento sobre setembro do ano passado, já descontada a inflação, a 96,660 bilhões de reais.

Embora tenham crescido menos, as despesas seguiram pesando sobre as contas públicas. A alta foi de 1,7 por cento na mesma base de comparação, a 119,639 bilhões de reais.

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Enquanto a Previdência Social respondeu sozinha por um rombo de 31,472 bilhões de reais, Tesouro e Banco Central tiveram juntos um superávit de 8,493 bilhões de reais.

Nos nove primeiros meses do ano, o déficit do governo central somou 81,591 bilhões de reais, um recuo de 28,6 por cento sobre o mesmo período de 2017.

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"Sem dúvida o crescimento da receita este ano foi num ritmo muito acima do que se esperava no início do ano", afirmou o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, apontando que o desempenho chama mais atenção porque o governo deixou de contar com o ingresso de 12 bilhões de reais com a privatização da Eletrobras.

Em apresentação, o Tesouro destacou que isso ocorreu em função do aumento da receita, por melhora dos indicadores macroeconômicos, e maior arrecadação com Refis e com receitas não administradas. Estas últimas têm sido guiadas basicamente por maiores royalties de petróleo, impulsionados tanto pela valorização do dólar no ano quanto pelo aumento no preço da commodity.

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Em 12 meses, o saldo negativo do governo central foi a 97,2 bilhões de reais, bem distante da meta de déficit primário de 159 bilhões de reais para este ano.

O Tesouro, contudo, destacou que a programação orçamentária do último trimestre do ano considera um déficit primário de 77,4 bilhões de reais -- salto de 426,8 por cento sobre o rombo do mesmo período do ano passado.

A piora é calcada, segundo o Tesouro, por maiores gastos previdenciários e com pessoal, créditos extraordinários pela política de subsídio ao diesel, despesas com subvenções e avanço das despesas discricionárias "pela reprogramação dos recursos não executados nos primeiros nove meses pelos ministérios para o período de outubro a dezembro".

Em coletiva, Mansueto reforçou que é "certeza" que o déficit primário no ano será menor do que a meta, ajudado pela economia com empoçamento de recursos.

Este será o quinto resultado consecutivo de déficit primário do país, fruto do forte descasamento entre receitas e despesas, quadro agravado pelo trajetória ascendente dos gastos obrigatórios.

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REGRA DE OURO

No relatório, o Tesouro também calculou uma folga de 14,6 bilhões de reais para o cumprimento este ano da regra de ouro, que impede que o governo emita dívida para quitar despesas correntes, como as da sua folha de pagamento.

Para o ano que vem, o cálculo é de uma insuficiência de 111,2 bilhões de reais, dado que já contabiliza o resultado contábil positivo do Banco Central no primeiro semestre, que foi alavancado pela alta do dólar. Sem ele, a insuficiência seria de 260,5 bilhões de reais.

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(Por Marcela Ayres)

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