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‘Governo se vê na necessidade de destravar o consumo’, diz economista sobre o Desenrola Adimplentes

Novo programa do governo federal, destinado a pessoas com as contas em dia, começou a valer na segunda (10)

Economia|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O programa Desenrola Adimplentes visa beneficiar trabalhadores informais, estudantes e empresas com contas em dia, permitindo a troca de empréstimos caros por contratos com juros menores.
  • Para participar, é necessário ter empréstimos de até R$ 15 mil, ter pago pelo menos quatro parcelas e aceitar o bloqueio do CPF em plataformas de aposta por 6 meses.
  • Estudantes com contratos do Fies até 2017 podem obter um desconto de 12% para pagamento à vista, com adesão até 31 de dezembro.
  • O economista Renan Silva destaca que o programa busca aliviar o endividamento das famílias e destravar o consumo, em meio ao cenário de juros altos e possível recessão econômica.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O Desenrola Adimplentes começou a valer nesta segunda-feira (10) com novas regras para os bancos. Segundo a proposta do governo federal, trabalhadores informais com as contas em dia, estudantes e empresas cadastradas no Fies serão beneficiados a fim de que consigam trocar empréstimos caros por contratos com juros menores.

Para participar, será preciso ter empréstimos de crédito pessoal de até R$ 15 mil por instituição, e o participante precisará ter pago pelo menos quatro das parcelas, com atraso máximo de 90 dias. Ademais, para ser inserida na proposta, a pessoa terá que aceitar o bloqueio do CPF em plataformas de aposta online por 6 meses. A renegociação troca a dívida antiga por um crédito novo, com juros de até 1,99% ao mês. A nova parcela não pode ultrapassar 90% do valor anterior.


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Já estudantes adimplentes, com contratos celebrados com o Fies até 2017, têm direito a um desconto de 12% para pagar a dívida à vista, tendo como prazo de adesão até 31 de dezembro. A expectativa é que o programa alcance até 500 mil informais e 100 mil beneficiários do Fies.

O professor de economia do Ibmec Brasília, Renan Silva, explicou durante o Jornal da Record News que hoje o endividamento das famílias chega a patamares recordes de 85%, devido a problemas estruturais da economia brasileira, como, por exemplo, a inflação média elevada nos últimos 25 anos, assim como a taxa de juros alta em relação a outros países emergentes.


“Na medida em que se oferece uma troca de dívida, você tem um equacionamento; as famílias passam a respirar melhor, têm um certo equilíbrio no seu orçamento e, mantendo a disciplina, há uma chance de você sair das dívidas. Agora, isso é possível porque você tem uma equalização por parte do governo, em taxas subsidiadas, o que também, a longo prazo, culmina em um aperto orçamentário por parte do governo”, enfatiza o especialista.

Nesse sentido, seria aceitável usar dinheiro público para pessoas que estão com as contas em dia? Para Renan Silva, a grande questão está no consumo das famílias, que pode diminuir.


“Na medida em que as famílias estão estranguladas com essa taxa de juros, você tem naturalmente ali um consumo reprimido, você tem uma queda do consumo. E é o que a gente já vem observando nesses últimos dois meses [...]. Isso porque já há sinais de retração da atividade econômica e há quem fale, já alerte para ter uma possível recessão a partir de 2027, se não forem tomadas algumas providências ali no campo fiscal. Então, na verdade, o governo se vê na necessidade de destravar o consumo, dar um certo fôlego, e é claro que isso a gente pode olhar ali na ótica de que nós estamos no ano de eleição”, argumentou.

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