Grana do Leão deve ser usada para dívida ou poupança, recomendam especialistas
Contribuinte pode fazer o dinheiro render ou pagar menos juros em débitos
Economia|Vanessa Beltrão, do R7

Alguns contribuintes estão com o bolso mais cheios nesta quinta-feira (15) com o terceiro lote da restituição do IR (Imposto de Renda). Mais de 1 milhão de pessoas receberam o pagamento, mas o que fazer com o dinheiro sobrando?
Especialistas ouvidos pelo R7 afirmam que o ideal é usar a grana para pagar dívidas. Já para os que pensam em investir, a poupança, as letras do tesouro e os títulos privados são algumas das opções.
Segundo o presidente da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), Reinaldo Domingos, os endividados devem se preocupar primeiro com os débitos no cheque especial ou no cartão de crédito, pois as taxas de juros são mais altas. Ainda de acordo com ele, os consumidores devem negociar as contas antes do pagamento para reduzir as possíveis multas.
O Serasa também orienta as pessoas a não manterem o dinheiro parado na conta bancária, pois com os gastos diários e o cheque especial, o montante irá diminuir.
Investimentos
Se livrando dos débitos, os contribuintes podem pensar nos investimentos. A poupança é uma das aplicações mais recomendadas, isso porque o consumidor poderá retirar o investimento quando achar necessário, sem pagar taxas de administração, e o dinheiro não será mordido pelo leão do Imposto de Renda.
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O diretor executivo de estudos econômicos da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel Ribeiro, explica que outros investimentos só valem a pena se o valor da restituição for maior do que R$ 50 mil.
— Como muitas restituições têm valores próximos de R$ 1.000 ou R$ 2.000, o melhor mesmo é aplicar na poupança que não tem cobrança de taxas administrativas.
Com a atual taxa básica de juros em 8,5%, a poupança passa a render anualmente 5,95%. Em termos práticos, significa que um investimento de R$ 100 gera uma rentabilidade de R$ 0,49 por mês, aproximadamente.
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Quem está pensando em uma rentabilidade maior, a opção é investir em títulos privados, como a LCA (Letra de Crédito Agrícola) e LCI (Letra de Crédito Imobiliária). Segundo o diretor da empresa Direito Contabilidade, Gestão e Consultoria, Silvinei Cordeiro, esses são pré-fixados e também têm isenção do Imposto de Renda.
Os interessados podem comprar os títulos nos bancos e negociar um bom rendimento. Porém, cordeiro explica que geralmente os privados exigem investimentos a partir de R$ 10 mil.
Já os que querem fazer uma aplicação de longo prazo, por exemplo, cinco a dez anos, o indicado é comprar as letras do tesouro, papéis do governo, ideal para quem procura um investimento seguro, pois o risco do calote é praticamente zero, já que é o próprio Estado que paga.
O temor neste caso está para quem comprar letras do tesouro na modalidade dos pós-fixados, já que são remunerados por índices de preços como a Selic (taxa de juros básica da economia) e sujeitos à volatilidade do mercado.
— Como a economia está estranha com inflação, variação cambial, vamos ter uma queda muito grande nos títulos do governo, então você tem que aguardar. Quem aplicou R$ 10 mil no início do ano, em maio, ficou com R$ 8.000, perdeu 20%. Essa queda, ele [investidor] vai conseguir recuperar até o final. O governo é seguro e vai pagar.
O grande problema é que se a pessoa que investiu no começo do ano, precisar de dinheiro antes do vencimento do título, ela teria hoje um rendimento menor do que investiu.
Ações
Aplicações em ações na bolsa de valores também são indicadas para longo prazo. De acordo com Reinaldo Domingos, os interessados devem investir no máximo 20% do seu dinheiro na compra de ações, isso porque o contribuinte fica refém do desempenho das empresas.















