Greve de caminhoneiros ameaça abastecimento de carne no país

Associação Brasileira de Proteína Animal alerta que bloqueios impedem o transporte de aves e suínos vivos, ração e cargas refrigeradas

Protesto de caminhoneiros afeita indústria de carnes

Protesto de caminhoneiros afeita indústria de carnes

Rodolfo Buher/Reuters 22.05.2018

A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) afirma que pode haver falta de alimentos caso a greve de caminhoneiros iniciada na segunda-feira (21) continue. Segundo a associação, "os bloqueios impedem o transporte de aves e suínos vivos, ração e cargas refrigeradas destinadas ao abastecimento das gôndolas no Brasil ou para exportações".

O vice-presidente da ABPA diz que oito unidades produtoras de carne suína e de aves do Brasil estão paradas devido a problemas decorrentes dos protestos de caminhoneiros.

Protesto de caminhoneiros causa lentidão em rodovias pelo 2º dia

Segundo ele, os protestos têm impedido a chegada de ração para as criações, a retirada de carnes dos armazéns das fábricas e também a chegada de animais para abate.

A maior parte das paralisações, que estão sendo registradas em vários estados do Brasil, afeta as operações da indústria de aves, disse ele.

Santin explicou que o setor sentiu tão rapidamente os impactos da greve dos caminhoneiros porque está trabalhando com elevados estoques de carnes em função de recentes embargos da União Europeia.

De outro lado, a indústria tem trabalhado com baixos estoques de ração, devido ao alto custo do milho.

"Todo o sistema está comprometido, não tem como girar, o cara tem que parar a planta", afirmou.

Ele disse que as exportações de carne do Brasil, maior exportador global de carne de frango, serão impactadas negativamente pelos protestos, mas preferiu não fazer estimativas.

Leia a nota na íntegra da ABPA: 

"A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) alerta sobre os riscos da continuidade das paralisações e bloqueios estabelecidos desde ontem nas rodovias federais e estaduais do País, pelo movimento de caminhoneiros independentes em protesto.

A ABPA, representante de mais de 140 agroindústrias e entidades vinculadas à avicultura e à suinocultura, estabeleceu um comitê de crise para o levantamento de informações sobre os problemas causados pelo movimento nas estradas.

Conforme relatos dos associados, os bloqueios impedem o transporte de aves e suínos vivos, ração e cargas refrigeradas destinadas ao abastecimento das gôndolas no Brasil ou para exportações.

A continuar este quadro, há risco de falta de produtos para o consumidor brasileiro.  Animais poderão morrer no campo com a falta de insumos.  Já temos relatos de unidades produtoras com turnos de abate suspenso.  Contratos de exportação poderão ser perdidos e há um forte aumento de custos logísticos com reprogramação de embarque de cargas. Os prejuízos para o setor produtivo e para o País são incalculáveis.

A ABPA apoia as motivações da paralisação, mas entende que o movimento deve preservar o fluxo dos alimentos e dos insumos para a produção.  É de conhecimento nacional a grave crise enfrentada pela cadeia produtiva de proteína animal, que há meses luta para preservar os postos de trabalho do setor.  Impedir a continuidade da produção poderá gerar consequências graves para todo o País, especialmente nos pequenos municípios onde o sistema produtivo está instalado".

Aurora

A Cooperativa Central Aurora Alimentos, terceira maior produtora de carnes de aves e suínos do Brasil, anunciou nesta terça-feira (22) que paralisará totalmente as atividades das indústrias de processamento de aves e suínos em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, na quinta e sexta-feira, devido a problemas causados pela greve dos caminhoneiros.

Segundo a Aurora, os bloqueios em estradas, em manifestações que visam pressionar o governo a reduzir tributos do diesel, após uma forte alta do preço do combustível, atingem o setor de transportes nas regiões onde estão instaladas as suas unidades produtivas.

"A suspensão total das atividades tornou-se imperativa e inevitável em razão dos efeitos do movimento grevista que impede a passagem dos caminhões que transportam todos os insumos necessários ao funcionamento das indústrias e, também, o escoamento dos produtos acabados para os portos e os centros de consumo", afirmou a Aurora em nota.

Nos dois dias de paralisação da Aurora, sete indústrias de aves e oito de suínos estarão inoperantes, enquanto 28 mil trabalhadores diretos estarão dispensados temporariamente.

Segundo a Aurora, devido a problemas para escoar os produtos, a capacidade de estocagem dos frigorificados --de 50 mil toneladas-- está exaurida.

"No campo, as famílias rurais são as mais prejudicadas porque o mesmo movimento grevista impede o fornecimento de ração, pintinhos, material genético, remédios aos milhares de produtores rurais, colocando em risco imensos planteis de aves, suínos e bovinos", afirmou a Aurora.

A Aurora afirmou que, mesmo que eventualmente a greve venha a ser encerrada nas próximas horas ou dias, a paralisação das unidades industriais nesta semana não poderá ser cancelada "em face das condições adversas que se criaram ao fluxo normal da produção".

"Tudo isso representa mais de 50 milhões de reais de prejuízos para toda a cadeia produtiva ancorada na Aurora Alimentos...", disse, apelando para que o governo e os manifestantes dialoguem pelo fim dos protestos.