Ibovespa engata 4ª queda seguida com deterioração da cena política
Principal índice da Bovespa fechou em queda de 1,6%, aos 49.181 pontos
Economia|Do R7

A bolsa paulista começou abriu a semana no vermelho, novamente pressionada por receios sobre o efeito da deterioração no ambiente político sobre os ajustes fiscais, considerados necessário para a retomada do crescimento econômico e da confiança de investidores no País.
Dados fracos sobre as importações chinesas no fim de semana corroboraram a quarta queda seguida na bolsa paulista, em sessão novamente contaminada pelo movimento do dólar e dos juros futuros, sem uma tendência única nas bolsas no exterior.
O principal índice da Bovespa fechou em queda de 1,6%, a 49.181 pontos, menor patamar desde 11 de fevereiro. O volume financeiro somou R$ 6,12 bilhões ante média de cerca de R$ 6,6 bilhões deste ano.
Em Wall Street, o índice S&P 500 avançou 0,39%, com algumas operações corporativas bilionárias ajudando a impulsionar o mercado, enquanto, na Europa, o FTSEurofirst 300 caiu 0,24% por realização de lucros.
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Para a equipe de gestão da Kapitalo Investimentos, o ministro da Fazenda continuou a mostrar em fevereiro disposição em fazer um ajuste fiscal forte. "Entretanto, a disputa política está cada dia mais complicada, e outras medidas de ajuste correm o risco de não se materializarem", escreveu em nota a clientes.
Na véspera, a presidente Dilma Rousseff voltou a culpar a crise externa e a falta de chuvas pela situação no país, enquanto afirmou que o ajuste fiscal irá durar o tempo que for necessário e pediu união e desculpas.
A queda do Ibovespa foi ditada pelo declínio dos bancos privados Itaú Unibanco e Bradesco, com relevante participação no índice, que fecharam em baixa de 2,6% e 2,87%, respectivamente.
Petrobras também pesou, com as preferenciais (PETR4) recuando 3,57%, em sessão sem tendência clara sobre os preços do petróleo no exterior.
Mas foi Cetip quem chamou a atenção, fechando em baixa de 7,6%, com opradores citando notícia da Folha de S.Paulo sobre detalhes do depoimento do doleiro Alberto Youssef, no âmbito da Lava Jato, em que ele cita propinas em contratos do Denatran. A Cetip disse que realiza atividades tipicamente privadas, sem nenhuma relação com os fatos reportados.
ALL liderou a ponta negativa do Ibovespa, caindo 8,93% e completando a sétima sessão de baixa. O papel é um dos excluídos no rebalanceamento semestral do índice de ações FTSE Global. Ao mesmo tempo, o noticiário do setor incluiu regulamentação na contratação de seguros.
A queda de 20,2% nas importações da China nos dois primeiros meses do ano e o novo recuo do minério de ferro pressionaram Vale no começo do dia, mas a mineradora reduziu as perdas iniciais, com as preferenciais fechando com declínio de apenas 0,12%.
A valorização da moeda norte-americana sobre o real, sustentou companhias que tendem a se beneficiar da depreciação cambial na ponta positiva, como Braskem, as siderúrgicas, Embraer e JBS.
Ao mesmo tempo, a alta dos juros futuros pressionou concessionárias, com a CCR despencando 6,38% e Ecorodovias perdendo 6,49%, e ações de construtoras, com o índice do setor imobiliário recuando 2,94%.
Da safra de balanços, o lucro líquido da Light quadruplicou no quarto trimestre por efeitos não recorrentes e UBS elevou o papel para "compra", mas a ação do grupo não sustentou a alta da abertura e caiu 5,71%.
Na carta referente a fevereiro, a equipe da Verde Asset Management, comandada pelo gestor Luis Stuhlberger, disse continuar cética em relação aos preços do mercado acionário brasileiro, observando que o mesmo tem sido sustentado até aqui por fluxos estrangeiros.















