Economia Ibovespa opera em baixa com PEC da Transição, contestação de urnas e ata do Fed

Ibovespa opera em baixa com PEC da Transição, contestação de urnas e ata do Fed

Para o mercado, o pedido de verificação dos resultados da eleição de 2022 e as negociações sobre o Bolsa Família pedem cautela

  • Economia | Do R7, com Reuters

Ibovespa recua pelo 2º dia seguido, com contestação da eleição e PEC da Transição

Ibovespa recua pelo 2º dia seguido, com contestação da eleição e PEC da Transição

Reuters/Amanda Perobelli - 19/10/2021

O Ibovespa recuava nesta quarta-feira (23), pelo segundo dia seguido, com o cenário fiscal do país ainda minando o ânimo dos agentes financeiros. Outro motivo de preocupação era o questionamento sobre os resultados da eleição de 2022, feito no dia anterior pela coligação do presidente Jair Bolsonaro (PL), e seus possíveis desdobramentos.

Às 16h17, o índice de referência do mercado acionário brasileiro caía 0,64 %, a 108.336,24 pontos, resultado muito próximo ao do final da manhã: às 11h39, a queda era de 0,63 %, a 108.353,14 pontos, com volume financeiro de R$ 4,7 bilhões.

O Ibovespa recuava desde os primeiros negócios do dia. Às 10h11, registrava queda de 0,56%, a 108.422,76 pontos.

O dólar, por outro lado, alternava estabilidade e alta frente ao real, conforme investidores monitoravam a tentativa de contestação das urnas pelos partidos que apoiaram a reeleição do atual presidente. 

Às 15h, o dólar era negociado a R$ 5,38, registrando alta de 0,51%. Pela manhã, às 10h27, a moeda à vista avançava 0,09%, a R$ 5,3845 na venda, mas chegou a cair 0,65%, a R$ 5,3450.

Na terça, a moeda americana à vista havia subido 1,29%, a R$ 5,3798 na venda, depois que a coligação de Bolsonaro apresentou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) um pedido de verificação extraordinária dos resultados da eleição de 2022. A alegação é que teria havido mau funcionamento de alguns modelos de urna eletrônica usados no segundo turno, que deram equivocadamente a vitória a Lula.

Em resposta, o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, determinou que a coligação do presidente faça um aditamento ao pedido inicial, para que abranja também o resultado do primeiro turno, destacando que foram usadas as mesmas urnas eletrônicas. Se o grupo não fizer isso em 24 horas, o pedido da equipe do presidente poderá ser arquivado.

Para estrategistas do Citi, o movimento de Bolsonaro adiciona ruído, mas há baixa probabilidade de que se desenvolva algum evento que tenha mais repercussão do ponto de vista judicial.

Para Bruno Mori, economista e planejador financeiro da Planejar, embora o tema seja motivo de inquietação, "o que dá um pouco de segurança é que os outros Poderes estão bem alinhados, sinalizando que não estão muito preocupados", disse.

Transição

A definição da equipe ministerial do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é motivo de grandes expectativas, principalmente quanto à divulgação do nome de quem vai comandar a pasta da Fazenda.

O clima de insegurança é ampliado pelos movimentos relacionados à PEC (proposta de emenda à Constituição) da Transição, que abre espaço para mais gastos públicos a partir de 2023. A equipe do governo eleito propôs, inicialmente, um gasto extrateto de quase R$ 200 bilhões, por tempo indeterminado, mas boa parte do mercado espera que o valor mude e o texto possa ser enxugado nas negociações com o Congresso.

"Essa indefinição sobre qual vai ser a conduta do governo em relação às contas públicas traz angústia", explica Mori. "Não tem muito uma tendência de curto prazo [para o câmbio], a tendência é que a volatilidade siga até que haja mais clareza" sobre a PEC da Transição, bem como sobre a equipe ministerial de Lula.

"O mercado continuará atento aos bastidores das negociações", afirmou a Guide Investimentos, destacando que os pontos que merecem maior atenção são o prazo para manter o Bolsa Família fora do teto e a magnitude dos gastos.

E ainda não há consenso sobre esses dois temas, disse na terça-feira (22) o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Ele aventou a hipótese de que seja adotada uma solução emergencial para garantir o pagamento do Bolsa Família de R$ 600 em 2023.

Cenário externo

No exterior, notícias sobre casos de Covid-10 na China continuam no radar, mas, nesta sessão, também ocupa os holofotes a ata da última reunião do Fed (Federal Reserve), que pode ajudar a calibrar apostas para os próximos passos do banco central americano.

O documento será divulgado às 16h (horário de Brasília), com os investidores atentos a qualquer sinalização que indique a possibilidade de o banco avaliar uma moderação nas altas dos juros.

"Seus membros têm sido enfáticos de que a estratégia 'higher for longer' [juros mais altos por mais tempo, em português] é para valer, mas o mercado continua precificando quase dois cortes" de juros na segunda metade de 2023, disse Arthur Mota, da equipe de Estratégia e Macro do BTG Pactual, em publicação no Twitter.

Ele afirma que o mercado vem duvidando das indicações do Fed, porque acredita que o banco central será forçado a mudar a conduta da política monetária americana quando o aperto das condições financeiras bater, de fato, no mercado de trabalho.

Wall Street teve abertura de sessão levemente positiva nesta quarta, véspera do feriado do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos. Agentes financeiros estavam à espera da ata do Fed, em meio a sinalizações conflitantes por meio de dados e discursos, sobre o ritmo de aperto monetário. 

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