Imigrantes ilegais hondurenhos protestam em Washington contra 'trem da morte'
Economia|Do R7
Washington, 17 jun (EFE).- O trem de mercadorias utilizado por imigrantes ilegais para entrar nos Estados Unidos foi alvo de uma manifestação de um grupo de hondurenhos nesta quarta-feira, em Washington, que criticou as condições precárias de uma viagem que transformou o sonho americano em um pesadelo. Aproveitando a visita do presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, à capital dos EUA, os imigrantes foram para frente da Casa Branca para protestar. Muitos deles acabaram mutilados durante a viagem no trem, conhecido popularmente como 'La Bestia'. "O sonho americano se transformou em pesadelo. Pedimos a nosso presidente que atue. Aqui somos oito deficientes. Em Honduras há 692", afirmou à Agência Efe José Luís Hernández, de 29 anos, um dos integrantes da caravana que exigia uma reunião com o presidente americano, Barack Obama. Eles demoraram mais de um mês para atravessar o México. Ao chegar aos EUA, foram presos pelas autoridades e levados ao centro de detenção do sul do Texas, na cidade de Pearsall, perto de San Antonio. Só conseguiram sair graças a um grupo de advogados que defende os imigrantes no país. Dos 17 que integravam a caravana, apenas oito chegaram a Washington. Muitos deles optaram pelo caminho arriscado e pelo protesto na capital americana para criar oportunidades para seus filhos, evitando que um dia eles tenham que se aventurar no 'La Bestia'. "Vim para mudar o futuro deles. Não queremos que eles passem o mesmo. Estamos fazendo tudo para que nossos meninos não tenham que imigrar e tenham um bom trabalho em nosso país", explicou à Efe Benito Murillo, de 44 anos, com quatro filhos. Murillo, que precisa de muletas para se locomover, decidiu sair de casa em 2005 para evitar a violência, o desemprego e a fome. Escolheu o "Animal" por ser mais barato do que os "coiotes" (traficantes de pessoas), que acompanham os imigrantes no caminho para entrar ilegalmente nos EUA. Como muitos outros, Murillo caminhou ao lado dos trilhos usados pelo pesado trem de carga. Apesar de saber dos riscos, pegou impulso e pulou em direção a um dos vagões que passavam por Chiapas, no México, com a esperança de sair ileso do processo. Acabou perdendo um braço e uma perna. Após vários dias de sofrimento, recuperou a consciência com ajuda de Olga Sánchez Martínez, fundadora e presidente de uma associação civil que auxilia dezenas de imigrantes doentes ou mutilados. Assim como Murillo, Freddy Omar Vega, de 36 anos, se atreveu a subir no "trem da morte" em 2006. "Não estamos aqui por nós. Mas há outros que estão pensando em viajar e não queremos que eles passem pelo mesmo. Em vez de uma vida melhor, podem encontrar a morte, um sequestro ou ficar deficientes como nós. Não podemos permitir", disse Omar Vega à Efe. Com a mesma força com a qual superaram o caminho que se tornou um pesadelo, o grupo de hondurenhos promete permanecer em frente à Casa Branca até conseguir uma reunião com Obama. Ameaçam, até mesmo, iniciar uma greve de fome se o encontro for negado. "Fizemos uma viagem de quatro meses. Não estamos dispostos a ir embora de mãos vazias. Subimos no 'La Bestia' porque queríamos um futuro melhor. Se não para nós, que seja para os nossos filhos", afirmou Vega. EFE bpm/lvl (fotos)















