Indústria automobilística volta a crescer após três anos; 1º semestre teve mais de 1 milhão de veículos vendidos
Mercado brasileiro registrou 3,7% de alta em relação ao primeiro semestre de 2016
Economia|Diogo de Oliveira, do R7

A indústria automobilística enfim apresenta sinais de retomada após ter sido fortemente abalada pela crise econômica nos últimos anos. Nesta quinta-feira (6), a Anfavea, Associação das Fabricantes de Veículos, divulgou o balanço do 1º semestre, com números positivos para os licenciamentos, que cresceram 3,7% (primeira alta desde 2013), e para as exportações, que registraram seu maior volume de todos os tempos, com 372,6 mil unidades enviadas ao exterior.
Na produção, houve queda de 15,4% em relação a maio, porém uma alta de 15,1% na comparação com junho de 2016. No semestre, o aumento do volume nas fábricas foi de 23,3% sobre o mesmo período de 2016. Por isso mesmo, a Anfavea justifica que o mês de junho teve um dia útil a menos que maio, e que algumas montadoras liberaram funcionários em férias coletivas, num movimento de ajuste de estoques. Não há, segundo o presidente da entidade, Antonio Megale, sinais de crise neste ano na indústria.
Megale também comentou que a indústria e a economia estão caminhando independentes da política, o que vem garantindo este cenário de estabilidade e leve retomada do setor. Quando questionado sobre o ambiente político, o presidente da entidade preferiu não falar sobre os episódios de corrupção que andam agitando o cenário em Brasília, nem sobre uma possível queda do presidente da República, Michel Temer.
— O que precisamos é de estabilidade. A Anfavea é uma entidade apolítica. E observamos que apesar da instabilidade política pela qual passa o País, a economia está apresentando resultados de forma independente, dando sinais de que pode caminhar ao largo desta crise. Esperamos mais 1.75 pontos percentuais de redução na taxa básica de juros na próxima reunião do Copom, trazendo a taxa para menos de 10 pp e caminhando para a expectativa de uma taxa de 8.5 pp. Então se os números do segundo semestre seguirem esta tendência, o mercado certamente apresentará evolução.
NÚMEROS TOTAIS (automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões)
Licenciamentos
Janeiro-Junho/2017: 1.019.445 unidades (+3,7%)
Janeiro-Junho/2016: 983.540 unidades
Produção
Janeiro-Junho/2017: 1.263.231 unidades (+23,3%)
Janeiro-Junho/2016: 1.024.865 unidades
Exportações
Janeiro-Junho/2017: 372.563 unidades (+57,2%)
Janeiro-Junho/2016: 236.941 unidades
Emprego
Janeiro-Junho/2017: 121.599 colaboradores (-5,0%)
Janeiro-Junho/2016: 127.961 colaboradores
Na contramão do crescimento, o nível de emprego apresentou redução de 6,3 mil postos no primeiro semestre, que Megale argumenta ser uma variação normal, de ajuste das fábricas após um ano de 2016 conturbado, com muitos funcionários aderindo a propostas como Layoff e PDV (Programa de Demissão Voluntária). Segundo a Anfavea, há cerca de 12,5 mil profissionais participando destes programas no momento. Os números são levemente maiores que os de maio, quando o total era de 10,3 mil pessoas.
Sobre as projeções para 2017, a entidade reviu (e elevou) alguns números, sobretudo o de exportações, mas preferiu manter a estimativa dos licenciamentos, apesar de historicamente o segundo semestre ser melhor em vendas do que o primeiro. A Anfavea espera uma alta de aproximadamente 35,6% para as exportações (algo como 705 mil veículos), crescimento de 21,5% na produção (2.619 milhões) e apenas 4% de aumento nas vendas (2.133 milhões). Agora resta saber se Brasília de fato não impactará nas previsões.
— O segundo semestre em geral é melhor que o primeiro, inclusive foi assim no ano passado, mas optamos por ser mais prudentes e aguardar os próximos meses para reavaliar a projeção deste ano. Alguns segmentos ainda não apresentaram reação e podem influenciar os resultados. Os licenciamentos mostram um viés positivo para veículos leves, mas negativo para pesados. No cenário econômico, o medo de perder o emprego diminuiu e a inflação caiu. Com a queda prevista na taxa de juros, o poder de compra dos brasileiros vai subir de novo. Acreditamos que há um desejo grande na compra do automóvel.












