Indústria de pneus vê prejuízo com tarifaço dos EUA e defende articulação com governo
Com tarifas de até 50% sobre exportações, setor teme perda de competitividade e impacto em empregos, investimentos e produção
Economia|Clarissa Lemgruber, do R7, em Brasília
RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A indústria brasileira de pneus será afetada pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A partir desta quarta-feira (6), os pneus agrícolas, de carga e de motocicletas exportados ao país terão tarifa adicional de 50%, segundo a Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos).
Os pneus de passeio seguem com tarifa de 25%, em vigor desde maio, enquanto os pneus de aeronaves — que não são fabricados no Brasil — passaram a ter adicional de 10%.
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As medidas atingem o principal destino das exportações brasileiras do setor. Em 2024, os EUA responderam por 3,2 milhões dos 9,8 milhões de pneus exportados pelo Brasil, o equivalente a 33,2% do total. No primeiro semestre deste ano, os embarques somaram 5,5 milhões de unidades (22% das vendas da indústria), sendo 1,9 milhão para os EUA (35,3%).
Entre os tipos de pneus afetados, os de passeio lideram os envios ao mercado norte-americano: de janeiro a junho, foram 4,22 milhões de unidades exportadas, das quais 1,45 milhão (34%) destinadas aos EUA.
Pneus de carga somaram 1,32 milhão de unidades, com 502,8 mil (38%) exportadas ao país. Já os pneus de motocicletas tiveram 751,5 mil unidades exportadas no semestre, sendo 63,7 mil (8%) para os EUA. Os agrícolas, por sua vez, somaram 54,5 mil unidades exportadas, com os EUA representando apenas 1% dos envios (392 unidades).
“As tarifas de 50% e 25% impostas pelo governo norte-americano trazem grande preocupação. Trata-se de mais um desafio a ser enfrentado no contexto do setor”, afirma Rodrigo Navarro, CEO da Anip.
“Desde 2020, temos convivido com o crescimento das importações, muitas vezes com valores abaixo do custo (dumping), afetando duramente a indústria no país, empregos, investimentos e reduzindo a compra de matérias-primas locais.”
Diálogo com EUA
A Anip defende diálogo “construtivo” com o governo norte-americano e afirma que os volumes de exportação “equivalem à produção de uma fábrica de médio porte”.
Para tentar reverter ou amenizar os impactos, representantes da associação estiveram reunidos com o vice-presidente Geraldo Alckmin, membros do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, os governadores de São Paulo e Bahia, além de entidades como CNI (Confederação Nacional da Indústria), Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e Fieb (Federação das Indústrias do Estado da Bahia).
“Vamos continuar com os esforços junto aos principais interlocutores-chave envolvidos nesse tema, incluindo governo federal, estadual e outras entidades setoriais, para fortalecer as iniciativas de diálogo com o governo norte-americano”, afirmou Navarro.
Segundo ele, as tarifas afetam empresas dos dois lados, especialmente aquelas que mantêm linhas de produção no Brasil voltadas exclusivamente à exportação para os EUA.
São Paulo e Bahia lideram exportações
O estado de São Paulo é o mais afetado pela medida. Em 2024, concentrou 49,4% dos pneus produzidos para exportação, com nove fábricas. No primeiro semestre de 2025, esse índice subiu para 52,7%.
A Bahia vem na sequência, com 24,3% das exportações em 2024 e 21,9% em 2025, reunindo três fábricas. Também têm operações relevantes de exportação os estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná.
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