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Leilão de distribuidoras da Eletrobras movimenta mercado, dizem especialistas

Economia|Do R7

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Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Ao menos meia dúzia de investidores tem se movimentado para analisar seis distribuidoras de eletricidade da estatal Eletrobras que deverão ser privatizadas em um leilão que o governo pretende realizar até abril, disseram especialistas próximos das conversas em andamento.

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O andar das consultas sugere que deve haver interessados por todas as empresas, que operam no Norte e Nordeste do país, com a possibilidade até de haver disputas entre mais de uma companhia por alguns ativos mais atraentes.

As empresas da Eletrobras atendem Acre, Alagoas, Amazonas, Rondônia, Roraima e Piauí, com operações fortemente deficitárias que obrigaram o governo a autorizar a holding elétrica a assumir 11,2 bilhões de reais em dívidas e possíveis passivos de até 4 bilhões de reais dessas subsidiárias junto a fundos do setor elétrico para viabilizar a venda.

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"Tem algumas empresas interessadas, sim, e elas estão se movimentando... acho que vai ter uma disputa, principalmente por algumas distribuidoras. Acredito que todas receberão lances", disse à Reuters a diretora da consultoria Thymos Energia, Thais Prandini.

"Eu até achava que não haveria tanto interesse, mas está tendo... estamos vendo uma movimentação. A gente tem pelo menos um cliente que pediu proposta para olhar o data-room dessas empresas todas", disse o sócio da área de energia do escritório Veirano Advogados, Tiago Figueiró, sem citar nomes.

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Entre empresas vistas como possíveis interessadas estão grupos que já atuam com distribuição de energia do Brasil e fizeram aquisições no setor ao longo dos últimos anos, como a Equatorial e a italiana Enel, além da Neoenergia, controlada pelos espanhóis da Iberdrola.

Uma fonte disse à Reuters, na condição de anonimato, que a Energisa também pretende disputar o leilão das distribuidoras e está de olho em mais de uma empresa da Eletrobras, incluindo a Ceron, responsável pelo fornecimento em Rondônia.

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Uma segunda fonte disse que entre os grupos que querem disputar as privatizações estão também as financeiras Vinci Partners e GP Investments, fundos de private equity que já foram sócios da Equatorial.

A Equatorial tem como maiores acionistas atualmente Squadra Investimentos, Opportunity, Black Rock e GIC. A empresa é vista como especialista em recuperar distribuidoras deficitárias, após ter comprado a Cemar, do Maranhão, por 1 real em 2004 --a empresa hoje é considerada uma das mais eficientes do setor.

O sócio da auditoria independente Tattica, Aderbal Hoppe, disse que a operação deficitária das distribuidoras da Eletrobras pode ser revertida por novos controladores que consigam reduzir custos operacionais e investimentos e ao mesmo tempo sanear as dívidas das companhias.

"Isso é determinante, pois em casos como o da Cemar... houve capacidade e ela em pouco tempo passou a ser uma referência de excelência operacional e de distribuição de dividendos", afirmou.

A Vinci Partners confirmou à Reuters o interesse no leilão das distribuidoras.

"Estamos nos preparando para eventualmente participar da privatização das distribuidoras da Eletrobras. Estamos acompanhando de perto esse processo e aguardando as datas-chave para que a gente possa avaliar qual das seis (seria alvo de aquisição)-- ou se todas as seis, ou algum subconjunto delas", disse o sócio da área de Infaestrutura da Vinci Partners, José Guilherme Souza.

Procurada, a Eletrobras disse que não iria comentar, assim como a italiana Enel. A Energisa também não comentou.

A Neoenergia não quis falar sobre o leilão das distribuidoras da Eletrobras, mas ressaltou em nota que "o grupo está sempre atento a novas oportunidades de negócios e acompanha a movimentação dos ativos disponíveis no mercado".

A Equatorial Energia disse que "está atenta às oportunidades de mercado". GP Investments não respondeu a um pedido de comentário.

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MODELO

O leilão das distribuidoras da Eletrobras prevê um preço simbólico para cada empresa, de 50 mil reais, associado a obrigações de investimentos e aportes de recursos nas concessionárias.

Pelas regras da licitação, o vencedor da disputa por cada concessionária deverá realizar aportes nas empresas após a compra que variam de cerca de 240 milhões de reais nas elétricas de Rondônia e do Acre a um máximo de 721 milhões, na Cepisa, do Piauí.

Somadas as seis distribuidoras, o aporte imediato de capital exigido será de 2,4 bilhões de reais.

O valor representa cerca de 30 por cento do total de investimentos previstos para os cinco primeiros anos de operação das distribuidoras, estimados em 7,8 bilhões de reais, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tem assessorado o processo de desestatização.

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