Liquidação do Will: entenda o que é o FGC e quem tem direito ao ressarcimento
Pagamentos aos clientes dependem dos dados da liquidação e do enquadramento de cada caso nas regras de garantia
Economia|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Apesar da liquidação do Will Bank, nem todos os clientes da instituição vão perder dinheiro. Com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), investidores com aplicações de até R$ 250 mil serão ressarcidos. A garantia do FGC é válida em casos de contas-corrente, contas-poupança e nos seguintes investimentos: CDB, LCI, LCA, LCD e RDB.
Criado em 1995, o FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos e integrante do SFN (Sistema Financeiro Nacional), que atua na prevenção de crises bancárias sistêmicas e para proteger depositantes e investidores.
O fundo atua, principalmente, na realização de operações de assistência de liquidez ou estrutural com as instituições financeiras associadas e administração de mecanismo de proteção do sistema financeiro que prevê o pagamento de garantias.
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O FGC estima que o valor a ser pago a quem tem conta no Will Bank será de cerca de R$ 6,3 bilhões, com base em dados de novembro do ano passado.
Contudo, o valor final e a quantidade de clientes que terão direito ao ressarcimento ainda dependem dos dados que o liquidante vai apresentar.
Além disso, o fato de a fintech fazer parte do grupo do Banco Master, que foi liquidado em novembro de 2025, dificulta as contas, já que alguns clientes podem já ter ultrapassado o limite de garantia.
Para o FGC, considerando as liquidações de Master e Will Bank, o custo para reembolsar todos os investidores pode chegar a cerca de R$ 47 bilhões.
Como funciona o processo de pagamento
Após, o decreto de liquidação, o Will Bank deverá enviar uma lista das pessoas credoras e os valores a serem pagos, agrupando os créditos por CPF ou CNPJ, para o FGC processar os pagamentos a serem realizados.
Com as informações recebidas da instituição, o FGC libera a solicitação no aplicativo para que os credores cadastrem a conta bancária, façam a validação da biometria e o envio de documentos.
Após a assinatura do termo de sub-rogação pelo app, o pagamento é realizado na conta bancária cadastrada.
O FGC disse que não existe prazo legal definido para o reembolso, mas destacou que “empenha os melhores esforços para que ocorram na maior brevidade possível”.
“O prazo médio estimado é de 2 dias úteis, contados a partir da conclusão da solicitação pelo credor. Os prazos divulgados pelo Fundo são estimativas operacionais, baseadas na experiência do FGC em liquidações anteriores”, disse o fundo.
“Em função dos requisitos de segurança e procedimentos adotados de prevenção a fraudes, a validação de identidade e a liberação dos pagamentos de um percentual dos credores passarão por etapas adicionais de verificação. Essa checagem extra pode estender o prazo necessário para a conclusão do processo”, acrescentou a instituição.
Segundo o FGC, essas medidas visam proteger os credores e evitar que tentativas de golpes possam afetar negativamente o patrimônio do fundo.
O que acontece com o dinheiro
Com a liquidação, a instituição terá as atividades interrompidas, enquanto os ativos e passivos serão administrados por um liquidante, com o intuito de organizar o pagamento dos credores.
Para clientes e investidores, os efeitos da liquidação variam conforme o tipo de vínculo e o volume de recursos mantidos na instituição. Mas não necessariamente a liquidação quer dizer que todos os clientes vão perder dinheiro. Quem tem proteção do FGC está mais seguro, enquanto os demais credores precisam acompanhar o processo de perto e entender os riscos envolvidos.
O economista Hugo Garbe explica que, para a maior parte dos clientes e pessoas físicas, especialmente aqueles com valores dentro dos limites de cobertura do FGC (de R$ 250 mil), a liquidação não implica perda imediata de recursos.
Se o reembolso já tiver sido integralmente efetuado, não haverá ressarcimento adicional do FGC. Pela atualização mais recente, 448 mil dos 800 mil credores do Master já finalizaram o processo de solicitação das garantias. Os pagamentos começaram oficialmente na última segunda-feira (19).
Reembolsos feitos anteriormente pelo FGC
Segundo dados do FGC atualizados em dezembro do ano passado, o valor nominal (sem correção pela inflação) reembolsado a investidores desde que o fundo foi criado soma R$ 12,6 bilhões — esse total não considera os R$ 40,6 bilhões que o FGC vai usar para ressarcir investidores do Banco Master.
Parte desse montante, no entanto, é recuperada posteriormente com a venda de ativos e a cobrança de créditos das massas falidas, o que reduz o prejuízo final do fundo.
Confira casos anteriores em que o FGC atuou para reembolsar investidores:
Banco Bamerindus do Brasil S.A.
- Valor pago: R$ 3.744.246.000
- Investidores reembolsados: 3.913.229
- Data inicial do pagamento: 26/03/1997
Banco Cruzeiro do Sul S.A.
- Valor pago: R$ 1.960.149.000
- Investidores reembolsados: 2.405
- Data inicial do pagamento: 22/11/2012
BRK – CFI
- Valor pago: R$ 1.751.724.000
- Investidores reembolsados: 40.893
- Data inicial do pagamento: 20/03/2023
Banco BVA S.A.
- Valor pago: R$ 1.308.600.000
- Investidores reembolsados: 7.671
- Data inicial do pagamento: 04/03/2013
Banco Rural S.A.
- Valor pago: R$ 974.419.000
- Investidores reembolsados: 2.501
- Data inicial do pagamento: 08/11/2013
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