Mercado brasileiro de fundos aposta em equilíbrio econômico, aponta Santander
Economia|Do R7
São Paulo, 21 jan (EFE).- O mercado brasileiro de fundos de investimentos aposta nas políticas monetária e fiscal do governo para conseguir em 2015 o restabelecimento e equilíbrio econômico, depois de o setor registrar em 2014 seu pior ano desde 2010, informou nesta quarta-feira o banco Santander Brasil. Em um encontro com jornalistas da área econômica em São Paulo, a diretora-executiva do Santander Asset Management, Luciane Ribeiro, afirmou que apesar de não haver sido o melhor ano de captação líquida de recursos e com um comportamento volátil do setor, 2014 foi positivo para o banco de capital espanhol nesse segmento. "Tivemos um processo de competitividade importante em relação aos ativos. Para 2015, o governo direcionou de forma muito ágil e rápida (suas estratégias), e é preciso conseguir o que é necessário para restabelecer um padrão econômico para a política monetária e estabelecer o equilíbrio, principalmente fiscal, e acredito que esses ajustes também acontecerão durante o ano", ressaltou. O setor de fundos de investimentos no Brasil terminou 2014 com um patrimônio de US$ 950,3 bilhões, o pior balanço desde 2010, quando foi de US$ 933,3 bilhões, segundo um estudo divulgado na terça-feira pela empresa de consultoria especializada Economática. No entanto, o Santander Brasil confia, em matéria de política econômica adotada por parte do governo, em um "ano de conservadorismo pelo aumento de impostos" e, nesse sentido, um dos focos para o setor de fundos de investimento será a "renda fixa", para a qual o banco lançará alguns produtos. O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciou na segunda-feira um pacote de medidas fiscais, entre elas a de um ajuste dos impostos indiretos para algumas atividades econômicas. Luciane indicou que o governo estabeleceu as condições de "credibilidade que precisava" e, por isso, o setor de fundos conseguirá em 2015 superar a volatilidade e terminar com um "pequeno crescimento". Com um mercado um pouco mais atrativo para a renda fixa, parte dos recursos investidos no exterior podem retornar ao país, apesar da tendência cambial do real desvalorizado em relação ao dólar. Segundo a executiva, "o grande trunfo da mudança do governo é ter sabido apresentar a segurança, a ortodoxia e a credibilidade que eram necessárias". "Este é o ano claramente do reajuste e de políticas mais austeras", frisou. O economista-chefe do Santander Asset Management, Ricardo Denadai, elogiou as medidas anunciadas pela nova equipe econômica do governo, mas previu dificuldades para o país. Diante de um cenário internacional dividido frente à queda do preço do petróleo, com sinais claros de recuperação nos Estados Unidos, risco de inflação na Europa e continuação da desaceleração do crescimento chinês - o que prejudica as matérias-primas -, o Brasil terá vários desafios à frente. Denadai previu um crescimento nulo (0%), uma inflação de 7% que superará o limite do teto máximo da meta oficial de 6,5%, mas, apesar desses números, destacou a "velocidade de implementação dos anúncios de medidas 'macrocorretas' do governo". "Os resultados das medidas aparecerão já no primeiro semestre, mas para as de maior transparência, de equilíbrio fiscal e política econômica mais alinhada, o efeito será visto até o segundo", disse o economista, que advertiu sobre o impacto na economia da crise hídrica e o risco de racionamento de energia. Ainda nesse cenário de dificuldades, Denadai assegurou que o Brasil poderá manter em 2005 a nota de grau de investimento das agências qualificadoras de risco". EFE ag-wgm/id















