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Mercado de energia será aberto em 2028, diz governo, que prevê corte de R$ 10 bi em subsídios

Ministério prevê gratuidade no consumo mensal até 80 quilowatts-hora para famílias beneficiadas pela Tarifa Social de Energia Elétrica

Economia|Do Estadão Conteúdo

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Brasília (DF), 18/02/2025 - O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante a primeira reunião extraordinária de 2025 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no Ministério de Minas e Energia. Foto: Marcelo Camargo/Agência Bra
Ministro Alexandre Silveira apresentou proposta de reforma do setor elétrico Marcelo Camargo/Agência Brasil - 18.2.2025

A proposta de reforma do setor elétrico encabeçada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, prevê a abertura total do mercado livre de energia a partir de março de 2028.

O detalhamento do projeto prevê, ainda, que em março de 2027 os consumidores das classes industrial e comercial poderão comprar energia no mercado livre. Conforme documento do MME (Ministério de Minas e Energia), a medida deve promover a competição no mercado de energia e garantir liberdade de escolha para os consumidores de modo similar à telefonia, internet e bancos.

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O documento também aponta para a adoção de medidas legais a serem adotadas pela pasta para dar suporte à abertura, como instituir encargo para arcar com eventuais custos de sobrecontratação ou exposição involuntária das distribuidoras.

Também está previsto induzir a modernização das tarifas, com opções como tarifa horária, binomial, fixa, pré-paga e outras modalidades. Além disso, há perspectiva de criação de um supridor de última instância, além do estabelecimento da comercialização sem descontos no fio por aquisição de energia incentivada.

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Outro eixo da proposta visa trazer mais equilíbrio para o setor, com a possibilidade de consumidores livres serem colocados na base de adquirentes de energia das usinas nucleares Angra 1 e 2.

Conta de luz gratuita

A proposta do MME prevê, ainda, gratuidade no consumo mensal até 80 quilowatts-hora para famílias beneficiadas pela Tarifa Social de Energia Elétrica. Serão atendidas famílias inscritas no CadÚnico com renda mensal até meio salário mínimo per capita, indígenas e quilombolas, ou famílias atendidas em sistemas isolados por módulo de geração, além de pessoas com deficiência ou idosos acima de 65 anos beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada).

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Essas medidas devem beneficiar 17 milhões de famílias. Destas, 4 5 milhões terão a conta de luz zerada. O custo estimado é de R$ 3,6 bilhões por ano, e o valor será custeado pela CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), gerando um aumento de 0,9% para os demais consumidores regulados.

O desconto social da tarifa de energia deve beneficiar 21 milhões de famílias com desconto de 11,8% na conta de luz. Esse benefício deve gerar um aumento de 0,53% para os demais consumidores regulados, mas o custo será compensado pela realocação de encargos.

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Para quem tem consumo mensal de até 120 KWh e renda até meio salário mínimo per capita, haverá isenção do pagamento da Conta de Desenvolvimento Energético.

Conta de Desenvolvimento Energético

Outro ponto destacado no documento é a alocação dos encargos da CDE com rateio proporcional ao consumo, independentemente do nível de tensão, e a inclusão dos consumidores livres entre aqueles que suportam os custos da geração distribuída por meio da CDE.

Há também o plano de limitar a modalidade de autoprodução equiparada à demanda mínima de 30 megawatts e que o usuário da energia participe do projeto com pelo menos 30% do capital social. De acordo com o MME, a alteração “irá restabelecer os objetivos originais da autoprodução e promover a distribuição mais justa dos encargos”.

A reforma do setor elétrico proposta pelo Ministério de Minas e Energia deve reduzir em R$ 10 bilhões a CDE devido ao fim do desconto no consumo de fontes incentivadas. A estimativa é de economia no longo prazo com a retirada de subsídios.

O projeto de reforma já prevê a ausência do subsídio na baixa tensão e, de acordo com a pasta, para equilibrar as contas também há previsão de retirada, paulatinamente, do benefício para os consumidores da média e alta tensão, respeitando os contratos vigentes. Já para as geradoras, o desconto permanece. “O desconto termina quando o contrato for renovado”, explicou o MME.

O MME também anunciou que vai destravar as negociações de débitos no Mercado de Curto Prazo, com a liquidação de R$ 1,13 bilhão não pago, referente às liminares ainda vigentes do risco hidrológico, relacionados ao Mecanismo de Realocação de Energia.

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