Mesmo com tarifaço de Trump, dólar deve manter tendência de queda, dizem economistas
Fluxo de capital, diferencial de juros e desvalorização internacional da moeda sustentam cenário de câmbio mais favorável ao real
Economia|Clarissa Lemgruber, do R7, em Brasília
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O dólar fechou a semana passada a R$ 5,39, o menor patamar desde junho de 2024. Apesar do tarifaço imposto por Donald Trump — que elevou em até 50% as tarifas sobre importações de diversos países, incluindo o Brasil —, especialistas avaliam que o cenário para o câmbio nos próximos meses continua sendo de estabilidade.
Mais ainda: com viés de queda, sem espaço para altas significativas.
A trajetória recente da moeda norte-americana contrasta com o início de 2025, quando a cotação superou os R$ 6. No ano, o dólar já acumula queda superior a 11%, favorecido pelo diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos.
Segundo Hugo Garbe, doutor em economia e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a valorização do real está diretamente ligada ao movimento dos juros.
“O Brasil segue com taxa de juros elevada, enquanto os Estados Unidos já sinalizam cortes. Isso atrai fluxo para cá e dá sustentação à moeda. No curto prazo, a tendência é de continuidade desse fortalecimento, com o dólar podendo recuar um pouco mais”, afirmou.
Ele ressalta, porém, que oscilações são inevitáveis.
“O câmbio responde rápido a fatores externos, como política monetária americana e tensões comerciais, e também a ruídos internos de política fiscal. Por isso, podemos ver altas passageiras do dólar, mas o cenário-base para os próximos meses é de estabilidade com viés de queda.”
Na avaliação de José Carlos de Souza Filho, professor da FIA Business School, o dólar deve encontrar resistência abaixo do atual patamar.
“Neste ano, não podemos pensar num dólar abaixo de R$ 5,30 neste ano. É possível que, em alguns momentos, a cotação recue desse nível, mas é pouco provável que termine o ano abaixo de R$ 5,30”, afirmou.
Ele destacou ainda que a moeda segue pressionada por fatores globais.
“Temos visto uma movimentação política muito grande nos Estados Unidos e muitas medidas que tornam o quadro volátil e instável. O dólar continua sendo reserva de valor e porto seguro em momentos de incerteza”, disse.
Dólar R$ 5,50 no fim de 2025, projeta CNI
Em documento divulgado na segunda-feira (18), a CNI (Confederação Nacional da Indústria) destacou que a queda da demanda internacional por dólar, aliada ao diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, sustenta a valorização do real.
A entidade projeta que a taxa de câmbio encerre 2025 em R$ 5,50, valor 11% inferior ao registrado no fim de 2024 (R$ 6,19). Para a média do ano, a previsão é de R$ 5,62, acima da média de 2024 (R$ 5,39).
Imprevisibilidade ainda pesa
Para Benito Salomão, professor do Instituto de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia, não há como cravar uma trajetória para a moeda.
“Não é possível prever o dólar com certeza na base das técnicas disponíveis. Independentemente de tarifaço ou não tarifaço, ativos financeiros em geral absorvem no preço informações novas a cada momento. Qualquer previsão que se faça sobre a taxa de câmbio acaba sendo um pouco de chute”, afirmou.
Salomão acrescenta que movimentos abruptos de preço podem ser corrigidos pelo Banco Central, mas criticou a atuação da instituição durante a forte volatilidade de 2024.
“O Banco Central não podia ter ficado assistindo ao dólar começar o ano abaixo de R$ 5 e terminar acima de R$ 6”, disse.
Tendência e riscos
Apesar da força do real sustentada pelos juros, José Carlos pondera que o dólar não deve ser visto como ativo de investimento no longo prazo.
“Quem comprou dólares no início do ano está perdendo dinheiro, porque a moeda vem caindo. O dólar pode ser um ativo de segurança ou para preparar uma viagem, mas como investimento não se caracteriza como boa alternativa”, avaliou.
Ele acrescenta que, para uma queda mais expressiva do câmbio, o Brasil teria de avançar em pontos estruturais. “Seria necessário equilíbrio fiscal, valorização das commodities exportadas e um cenário externo mais favorável. Mas é um cenário pouco provável para este ano”, concluiu.
Enquanto o diferencial de juros favorece o real, a expectativa de cortes no Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) deve seguir influenciando o câmbio.
Para os especialistas, a tendência é de um dólar mais baixo, mas sujeito a ajustes repentinos em resposta a fatores externos e internos.
Perguntas e respostas
Qual foi a cotação do dólar na última semana?
O dólar fechou a semana passada a R$ 5,39, o menor patamar de fechamento desde junho de 2024.
Como a tarifa imposta por Donald Trump afeta a cotação do dólar?
Apesar da tarifa imposta por Donald Trump, que elevou em até 50% as tarifas sobre importações de diversos países, incluindo o Brasil, especialistas acreditam que o cenário para o câmbio nos próximos meses será de estabilidade com viés de queda.
Qual foi a trajetória recente do dólar?
A trajetória recente do dólar contrasta com o início de 2025, quando a cotação superou os R$ 6. No acumulado do ano, o dólar já acumula queda superior a 11%, favorecido pelo diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos.
O que dizem os especialistas sobre a valorização do real?
Segundo Hugo Garbe, doutor em economia e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a valorização do real está diretamente ligada ao movimento dos juros. Ele afirma que a taxa de juros elevada no Brasil, em contraste com os cortes nos Estados Unidos, atrai fluxo de investimentos e sustenta a moeda.
Quais são as previsões para o dólar no curto prazo?
Hugo Garbe indica que, no curto prazo, a tendência é de continuidade do fortalecimento do real, com o dólar podendo recuar um pouco mais, embora oscilações sejam inevitáveis devido a fatores externos e internos.
Como o Banco Central pode influenciar a cotação do dólar?
Benito Salomão menciona que movimentos abruptos de preço podem ser corrigidos pelo Banco Central, mas critica a atuação da instituição durante a volatilidade de 2024, quando o dólar começou o ano abaixo de R$ 5 e ultrapassou os R$ 6.
Qual é a expectativa para o futuro do dólar?
Os especialistas indicam que a tendência é de um dólar mais baixo, mas sujeito a ajustes repentinos em resposta a fatores externos e internos, especialmente devido à expectativa de cortes no Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA.
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