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Montadoras estão mais pessimistas com Brasil

Economia|Do R7

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Enquanto, na terça-feira, 3, no Brasil, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) anunciava projeções ainda mais pessimistas para o setor, em Genebra, durante o primeiro dia de um dos principais salões de carros do mundo, os executivos das maiores montadoras do mundo demonstravam preocupação com o mercado brasileiro.

"A situação está um pouco difícil", disse o presidente da Renault, Carlos Ghosn. "A expectativa é de queda nas vendas em 2015 e isso é uma grande frustração porque sabemos que o Brasil tem um grande potencial", lamentou o executivo, que participa do evento em Genebra.

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As expectativas do setor pioraram desde o início do ano. Em janeiro, por exemplo, a Fenabrave disse que estimava uma retração de 0,53% nas vendas. Ontem, mudou essa previsão prevendo uma queda de 10% em relação ao ano passado, com um total de 2,48 milhões de emplacamentos até dezembro deste ano. Em 2014 ante 2013, as vendas caíram 7,1%. Também em janeiro a Anfavea (a associação das montadoras brasileiras) indicou que o ano de 2015 seria de estagnação na venda, em quase 3,5 milhões de unidades. A produção teria alta de 4,1%.

Para Ghosn, a retomada do crescimento foi adiada "para 2016 ou 2017". "Chegou o momento de o governo assegurar que haverá equilíbrio na economia. O Brasil precisa fazer os reajustes necessários para permitir que o mercado volte a se desenvolver." Masahira Moro, gerente executivo de Mazda, é ainda mais claro ao alertar para a crise no Brasil. "Não está na hora de abrirmos uma fábrica no País. Continuamos a acompanhar o desenvolvimento no País. Mas vemos que há uma importante turbulência e uma queda de vendas", disse ao jornal O Estado de S. Paulo.

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Para as empresas que acabam de fazer pesados investimentos no Brasil, a esperança é a de que o crescimento seja retomado até o fim da década. "Nosso projeto para o Brasil é de longo prazo", declarou Thomas Weber, um dos membros do Conselho de Direção da Daimler AG. Em 2013, a empresa anunciou investimentos de R$ 1 bilhão para 2014 e 2015 no mercado brasileiro.

Emergentes

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A realidade é que o Brasil é apenas parte de uma revisão mais completa da estratégia das grandes montadoras nos países emergentes. Se desde 2008 a Europa e EUA sofreram uma grave crise financeira, a aposta das multinacionais era de que o mundo em desenvolvimento compensaria pela queda de vendas nos mercados ricos.

Bilhões foram investidos e, hoje, uma revisão desses projetos começa a ocorrer. A General Motors, por exemplo, anunciou na semana passada o fechamento de uma de suas fábricas na Indonésia, para se ajustar a um crescimento mais baixo na Ásia. Mesmo assim, a empresa mantém que, até 2030, metade das vendas globais de carros se dará nos mercados emergentes.

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Nas últimas semanas, as notícias vindas dos mercados emergentes não foram positivas para as montadoras. Na Venezuela, a Ford perdeu em 2014 cerca de US$ 800 milhões com a volatilidade do câmbio. Na Rússia, a GM fez desinvestimentos de US$ 194 milhões e cortou sua produção.

Na Ásia, a Toyota registrou queda de vendas de 11%, puxada pela desaceleração de mercados como Indonésia e Tailândia. Na Índia, as vendas de carros registram quedas desde 2014 e o projeto da Fiat Chrysler de lançar uma produção local da Jeep em 2013 foi adiada provavelmente para o final de 2015. Colaborou Igor Gadelha. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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