ONS garante bandeira tarifária verde na conta de luz até o final do ano
Economia|Do R7
RIO DE JANEIRO (Reuters) - As contas de luz deverão ficar pelo menos até o final do ano em bandeira verde, que não gera custo adicional para o consumidor, afirmou nesta sexta-feira o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata, que explicou que o nível dos reservatórios aponta que não deve ser necessário acionar térmicas mais caras, que levariam à bandeira amarela.
Barata, que falou com jornalistas em café da manhã que comemorou os 18 anos do ONS, disse que o nível dos reservatórios e a afluência prevista para os próximos meses garantem a manutenção da bandeira tarifária sem custo adicional ao consumidor.
Ele chamou de especulações as notícias de que o governo poderia promover uma mudança de bandeira para amarela, o que implicaria em um custo adicional na conta dos consumidores de 1,50 real a cada 100 Kwh consumidos.
"Mantemos verde a bandeira, com certeza... Há muita especulação nesse mercado", disse ele.
"Acho que vamos ficar com a verde até o fim, até porque em outubro e novembro começa a chover. Além disso, no período seco está chovendo. Ou seja, o balanço da carga de geração permite dizer que não será necessário gerar tanta térmica", adicionou Barata, sobre as termelétricas que têm custo mais alto.
None
SÃO FRANCISCO
Ele afirmou ainda que o órgão espera ter até o final do ano autorização do governo para reduzir ainda mais a vazão defluente da hidrelétrica de Sobradinho, no rio São Francisco, o que reduziria a geração da usina para manter mais água no reservatório e possibilitar o atendimento à demanda por água para irrigação e consumo urbano.
"A ideia é poupar para um futuro próximo e evitar baixas perigosas; é um processo de poupança do rio, pois não sabemos o que vai ocorrer no próximo período chuvoso, e podemos ter uma repetição do último período úmido, que não foi bom", disse ele. "A decisão vai ser tomada este ano ainda porque há uma sensibilidade dentro do governo sobre o tema..."
None
LINHAS DE TRANSMISSÃO
O diretor-geral do ONS minimizou o adiamento do leilão de linhas de transmissão, que estava programado para 2 de setembro, e afirmou que o atraso deve ser de dois meses, não implicando em prejuízos para a construção dos empreendimentos.
Barata lembrou que a maioria dos lotes tem linhas que devem ser construídas pelo empreendedor de 48 meses a 60 meses, prazo considerado pelo governo muito dilatado.
A proposta do governo é que nos futuros leilões o prazo de construção de até cinco anos possa ser encurtado para até quatro anos.
Para isso, o governo pretende capacitar e reforçar os órgãos responsáveis pelo licenciamento ambiental, em processo que normalmente consome boa parte desse período estabelecido para a entrega da obras.
"A nossa ideia é reduzir prazos para uma linha... Não adianta botar três anos sem resolver questões estruturais. Por isso, o governo vai se aproximar do meio ambiente e primeiro quer resolver problema da licença sócio-ambiental e depois reduz prazo", explicou ele.
None
TÉRMICA DE CUIABÁ
Barata informou ainda que, nos próximos dias, será assinado pela usina térmica de Cuiabá um contrato para fornecer energia firme para a Argentina.
A autorização dada pelo governo é para que a térmica atenda ao mercado argentino até março do ano que vem.
A térmica pertence ao grupo J&F, controlador da companhia de alimentos JBS. O projeto pode fortalecer a ideia de integração energética entre os países sul-americanos, disse ele.
Hoje, há intercâmbios esporádicos de energia entre Brasil, Argentina e Uruguai, e o objetivo é no futuro tornar essa relação bilateral mais firme.
"Isso é bom para Brasil, porque mantém a máquina operando, paga tarifa de transmissão e com térmica funcionando tem mais uma confiabilidade", disse Barata.
O contrato vai prever um fornecimento de até 480 MW aos argentinos e está vinculado à disponibilidade do gás que vem do gasoduto Brasil-Bolívia.
None
(Por Rodrigo Viga Gaier)















