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ONS quer participação no lucro para diretores

Economia|Do R7

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O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável por gerenciar o abastecimento de energia no Brasil, entrou em uma queda de braço com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para garantir a possibilidade de que seus diretores recebam Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Para conseguir o benefício, o ONS quer mudar seu próprio estatuto, que proíbe distribuição de ‘lucros, bonificações, vantagens pecuniárias e assemelhados a seus associados e administradores, sob nenhum pretexto, forma ou título’.

A Aneel exige, para aprovar a medida, que a remuneração seja paga por meio da contribuição das empresas do setor elétrico associadas a ONS e não pelo consumidor. Também pede a alteração do estatuto. O orçamento do ONS, que neste ano é de R$ 612 milhões, tem 97% de seus recursos bancados pelo consumidor de energia, em sua conta de luz. Apenas 3% vêm das empresas do setor que ele gerencia. A maior despesa, de R$ 569 milhões, são "itens operacionais", que inclui a folha de pagamento.

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O ONS é uma associação civil fins lucrativos, mas paga a seus funcionários uma bonificação chamada de "performance operacional", que depende do cumprimento de metas. Atualmente, o órgão tem 778 empregados, e a bonificação varia entre 1,5 a 2 salários. O valor da remuneração não é público.

Em março, o então diretor-geral da associação, Hermes Chipp, enviou carta à agência reguladora, na qual pedia que mudanças estatutárias fossem aprovadas, entre elas as que retiram da Aneel a possibilidade de arbitrar sobre o assunto. Chipp defendeu, na ocasião, que tanto a bonificação quanto as metas a serem atingidas passariam a ser ‘atribuição exclusiva do Conselho de Administração do ONS e dos membros associados".

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De acordo com a área jurídica do ONS, se os diretores passarem a receber esse bônus, será possível enquadrar o benefício na Lei da PLR (10.101/2000). Para que entidades sejam equiparadas a empresas e bonificações sejam consideradas PLR, o ONS teria de distribuir resultados a seus dirigentes, administradores ou empresas vinculadas.

Se houver esse enquadramento, o pagamento do bônus teria direito a benefício fiscal, nos termos da Lei 12.832/2013, com tributação exclusiva na fonte e redução de encargos trabalhistas. Segundo o ONS, isso resultaria em uma redução de R$ 8,2 milhões no orçamento do órgão neste ano, de R$ 31,7 milhões para R$ 23,5 milhões, já incluída a remuneração dos diretores.

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Essa economia, de acordo com a entidade, seria reservada para o orçamento do órgão em 2017. No ano passado, o ONS gastou R$ 29,5 milhões com o pagamento desse bônus.

O atual diretor-geral do ONS, Luiz Eduardo Barata, negou que o objetivo seja pagar PLR aos diretores. "Não é verdade que a diretoria quer ganhar mais dinheiro. É simplesmente uma questão de preenchimento de requisitos legais. Se houver outra maneira de migrar, tudo bem", afirmou.

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Barata disse até não ser contra uma bonificação menor para os diretores do ONS. "Não sei se a lei permite, mas se puder, não tenho nada contra. Não estamos atrás da PLR. Essa mudança seria boa para o ONS, para os empregados e para todos os consumidores."

A forma de financiamento dos custos do Operador Nacional do Sistema Elétrico está em discussão na Aneel. A área técnica da agência defende que os recursos necessários para o orçamento da entidade saiam da conta de luz e, a partir de 2018, passem a ser recolhidos exclusivamente por meio de contribuições das empresas associadas. A diretoria, no entanto, ainda não se decidiu sobre o caso. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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