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Pãozinho francês deve refletir alta do trigo e ficar mais salgado para consumidor

Fornecedores de matéria-prima do pão indicam que reajuste de até 10% chega já em agosto

Economia|Alexandre Garcia, do R7

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Preço médio da tonelada de trigo comercializado no Paraná atingiu o maior valor desde setembro de 2016
Preço médio da tonelada de trigo comercializado no Paraná atingiu o maior valor desde setembro de 2016

Principal componente na fabricação do pãozinho francês, a farinha de trigo, negociada quase sempre em dólar, deve ficar mais cara nos próximos meses e deixar um pouco mais salgado o principal item do café da manhã dos brasileiros.

Dados recentes do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostram que o preço médio do trigo no Paraná apresentou uma alta de 3,18% no mês de junho, cotado a R$ 664,17 por tonelada.

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Nesta terça-feira (25), a instituição já apresentava a tonelada do grão vendida a R$ 671,46, maior valor desde setembro de 2016.

O diretor comercial da Nita Alimentos, Marcos Pereira, afirma que o repasse da valorização do trigo será "inevitável" a partir do mês de agosto, causando um efeito no mercado de pães. Segundo ele, a necessidade dos moinhos produtores do grão é de uma alta "em torno de 10% ou mais".

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— O impacto no pão eu acho que vai começar a ter a partir de agosto ou setembro, dependendo do que vai acontecer com o trigo nacional. [...] A safra gaúcha, que começava a ser colhida em agosto, vai ser explorada só em meados de setembro. Isso só vai começar a ter reflexo [no preço do pão] do meio de agosto para frente, mas, com certeza, vai ter.

Ao avaliar que existe uma manutenção no preço do pãozinho francês, o presidente do Sindipan (Sindicato da Panificação), Antero José Pereira, destaca que os moinhos nacionais estão em busca de trigos mais baratos.

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Ele garante que as padarias pagam pela saca de farinha de trigo o mesmo valor de quando o dólar estava cotado a R$ 2,20, mas não descarta um reajuste futuro para ajustar os preços de acordo com a inflação.

— A manutenção do preço da farinha faz com que o quilo do pão permaneça estável, embora hoje a farinha hoje represente apenas 20% do preço total do pão. Logo, logo, mesmo sem ter aumento da farinha, há a necessidade de repassar os custos de mão de obra, energia elétrica, água e alugueis.

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Marcos Pereira diz que o preço do grão deveria ter sido reajustado nos primeiros meses de 2017 e destaca que a situação de países produtores do trigo torna a alta irreversível.

— O setor da deveria ter mudado o patamar de preço no começo do ano e agora as evidências são muito mais fortes vai ser inevitável ter que repassar o preço àquele custo que você tem. [...] Se você olhar o preço cobrado pelo quilo do pão, observa que esse deveria ser o preço que a gente deveria estar praticando na venda do trigo.

Outro item presente na composição do pãozinho francês é o fermento, que ajuda o alimento a crescer ao ser colocado no forno. O coordenador da área de fermento da Festpan, Mauro Luis, afirma que o preço do item é seguido pela cotação do dólar, impossibilitando um diagnóstico futuro.

— Se o dólar subir, o preço do fermento sobe. Se cair, [o valor] abaixa junto.

O vice-presidente do Sindipan-AM (Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Amazonas), Wellington Moreira, ressalta que a queda da demanda fez com que as panificadoras segurassem o preço dos produtos, independentemente do aumento com os custos de produção.

— O fermento baixou de preço, mas eu tive um aumento de 200% no valor da energia. Como eu vou conseguir diminuir preço de produto final se eu tenho custo fixo aumentando cada dia mais. Acaba não existindo nenhuma perspectiva para baixar o preço do pão. Na verdade, precisava era aumentar porque a lucratividade das empresas caiu consideravelmente nos últimos anos.

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