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Para analistas, projeções da dívida bruta têm 'rombo' de mais de R$ 200 bilhões

Economia|Do R7

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Num cenário para as principais variáveis econômicas para o Brasil até 2018 que consideram realista, os economistas Vilma da Conceição Pinto e Lívio Ribeiro, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), estimam que o governo teria de gerar receitas não recorrentes - basicamente com a venda de ativos - de mais de R$ 200 bilhões em 2016 e 2017 para que a projeção da dívida bruta anunciada na quarta-feira, 22, fosse alcançada.

Uma venda de ativos desse porte provavelmente exigiria um robusto programa de privatização combinado com uma maciça venda de reservas internacionais.

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Os economistas partem da trajetória de superávits primários do setor público consolidado e da dívida bruta para 2015, 2016, 2017 e 2018 anunciada na quarta-feira pelo governo: de, respectivamente, 0,15%, 0,7%, 1,3% e 2% do PIB; e 64,7%, 66,4%, 66,3% e 65,6% do PIB.

Num exercício inicial, eles calcularam qual seria a evolução da dívida bruta caso a trajetória da Selic, do IPCA e do crescimento do PIB até 2018 acompanhassem as projeções do Boletim Focus, que traz a mediana das expectativas de mercado. Neste caso, a dívida bruta chegaria a 67,4% do PIB em 2018. Supondo que o governo cubra a diferença vendendo ativos em 2016 e 2017, seria necessário que a venda fosse de 0,9% do PIB em cada um dos dois próximos anos - em termos absolutos, isso significaria uma venda de R$ 56,4 bilhões em 2016 e de R$ 60 bilhões em 2017, usando as projeções do Focus para o PIB.

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Vilma e Ribeiro, entretanto, consideram que as previsões do Focus para 2017 e 2018 são muito otimistas. É sabido que as instituições preocupam-se menos com as projeções de mais longo prazo do Focus, e que suas revisões são mais esparsas, o que leva a defasagens com o que é a percepção de momento do mercado.

Assim, eles estimaram a evolução da dívida bruta até 2018 para um cenário que julgam razoável, combinando previsões oficiais do Ibre, do Focus e hipóteses que arbitraram (e que não são oficiais do Ibre). Os economistas frisam que não fizeram nenhum cenário oficial, mas apenas testaram hipóteses razoáveis para ter a sensibilidade dos parâmetros implícitos nas projeções do governo.

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Neste cenário, o PIB cai 2,2% e 0,1% em 2015 e 2016, e sobe 1% e 1,5% em 2017 e 2018. A Selic de final de ano em 2015, 2016, 2017 e 2018 é de, respectivamente, 14,5%, 12%, 11% e 11%. Já o IPCA nos quatro anos consecutivos é de 9%, 5,4%, 4,6% e 4,5%.

Com essas projeções, a dívida bruta atinge 69,6% do PIB em 2018. Para que chegasse aos 65,6% projetados pelo governo, as receitas não recorrentes teriam de ser de 1,9% do PIB em 2016 e 2017 - em termos absolutos, de respectivamente R$ 117,8 bilhões e R$ 124,4 bilhões, num total de R$ 241,4 bilhões.

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Se o governo conseguir receitas não recorrentes expressivas já em 2015, aquele número cai, devido à dinâmica da dívida. Por outro lado, ele pressupõe que toda a venda de ativos se conclua até 2017, o que, dado os volumes gigantescos, pode ser uma hipótese otimista.

A conclusão é que os números do governo não fecham a não ser com um colossal programa de venda de ativos, cuja factibilidade política, no caso das privatizações, ou de equilíbrio macroeconômico, no caso da venda de reservas, é muito discutível. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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