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Paraíso fiscal entra em recessão e suíços viram “sacoleiros” da Europa

Suíça terá ano difícil com a moeda valorizada e preços menos competitivos que seus vizinhos

Economia|Do R7, com O Estado de S. Paulo

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Pessoas mudaram seus hábitos e passaram a fazer compras da semana fora de seu país de origem
Pessoas mudaram seus hábitos e passaram a fazer compras da semana fora de seu país de origem

A Suíça, que já foi o símbolo de país estável e ícone entre os paraísos fiscais, terá um ano complicado com a sua moeda, o franco suíço, valorizada e risco de recessão. A situação é tão ruim que os suíços estão se tornando os “sacoleiros” da Europa.

De acordo com informações de O Estado de S. Paulo, os moradores do pequeno país no centro da Europa estão aproveitando que possuem uma moeda forte para cruzar as fronteiras dos seus vizinhos — França, Alemanha e Itália — para fazer compras.


Nas lojas de cidades das fronteiras desses países, a valorização do franco suíço é comemorada. Em Ferney-Voltaire, que faz fronteira com Genebra, donos de lojas, supermercados, farmácias e postos de gasolina foram obrigados a contratar novos empregados.

De um modo geral, de cada dez francos gastos por um habitante suíço, um é usado em lojas nas cidades da fronteira. Mas, agora, as pessoas mudaram seus hábitos e passaram a fazer compras da semana fora de seu país de origem. Consumidores comentam que, aos sábados, a fila de carros suíços tem causado congestionamento nos supermercados.


Na fronteira com a Alemanha, os suíços provocaram uma fila de 2 km na cidade de Konstanz, na fronteira entre os dois países, na corrida por produtos alemães. Segundo o jornal, a "invasão" foi tão grande que os estacionamentos dos supermercados alemães não davam conta dos carros. Centenas deles pararam pela rua e, ao voltar, descobriram que os alemães ganharam também com as multas aplicadas.

Os caixas eletrônicos da cidade de Basileia (suíça), vizinha de Weil am Rhein (Alemanha), ficaram sem euros devido à quantidade de consumidores retirando a moeda para ir às compras.


Por outro lado, os produtos e serviços suíços perderam competitividade. Tanto que, no auge do inverno, as estações de esportes de neve na Suíça passaram a dar descontos de até 30% para o aluguel de equipamentos e do passe para o teleférico. Mas os consumidores estão optando pelas montanhas francesas e italianas — mais baratas.

Produtos como o queijo, chocolate, relógios, remédios e dezenas de outros setores também estão sentindo a pressão da moeda mais cara.


Recessão e dívidas

Segundo O Estado de S. Paulo, vários bancos e institutos de pesquisa do país afirmam que a Suíça entrará em recessão. Ao contrário dos outros países europeus, em que economia fraca é resultado de gastos excessivos do governo, de um desemprego galopante ou de erros na política econômica, na Suíça, a crise será resultado do próprio sucesso do país, pelo menos na área dos bancos.

Para várias prefeituras europeias, a crise na Suíça tem efeitos dramáticos. O jornal aponta que mais de 1.500 cidades estão em uma profunda crise da dívida, com centenas delas alertando que não têm mais como pagar as contas.

Isso porque, muitas delas, pensaram que estariam se protegendo de variações bruscas no euro e fizeram empréstimos em franco suíço, considerado seguro. Com a valorização, as dívidas cresceram em 18% da noite para o dia, em locais que já estavam com as contas no vermelho.

A cidade de Elven, na França, por exemplo, pegou empréstimo de 3 milhões de francos suíços, com taxas de juros que acompanhariam eventuais mudanças — jamais pensadas — na Suíça. O prefeito já admitiu que não terá dinheiro para pagar a dívida.

Empresários também fogem

Assim como os consumidores que estão preferindo cruzar as fronteiras, os empresários também já começam a deslocar a produção industrial para fora da Suíça para ser mais competitivo no mercado exterior.

Os primeiros dados do ano do setor industrial apontam justamente para um recuo. Em janeiro, o segmento sofreu sua maior queda desde novembro de 2008, quando o mundo vivia o auge da crise econômica.

A nova realidade também abriu um novo debate na Suíça: se empresas e sindicatos devem ou não renegociar salários para baixo para manter os setores competitivos no mercado internacional. Dados oficiais do governo estimam que o salário médio mensal pago na Suíça seja de 6.000 francos, ante cerca de apenas 1.200 francos suíços na Espanha e 2.100 francos na França.

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