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Petrobras adota hedge para gasolina; visa conter volatilidade sem perdas

Economia|Do R7

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Por Marta Nogueira e José Roberto Gomes

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras anunciou nesta quinta-feira que terá a opção de adotar um mecanismo de proteção (hedge) para os preços da gasolina, podendo mantê-los congelados nas suas refinarias por até 15 dias, em um instrumento que terá como referência os contratos futuros do combustível nos EUA.


O mecanismo, que visa evitar perdas financeiras à companhia pela eventual manutenção dos preços congelados nas refinarias, foi aprovado pela diretoria da petroleira e já está válido a partir desta quinta-feira.

O anúncio, ressaltaram executivos da Petrobras, não implica em qualquer mudança na política de preços da empresa, pouco mais de um ano depois de a companhia adotar uma sistemática de reajustes quase diários, em linha com o mercado internacional e o câmbio.


Atualmente, o preço médio da gasolina nas refinarias da Petrobras está em 2,2069 reais por litro, valor que será mantido na sexta-feira pelo terceiro dia seguido.

"A política de preços da Petrobras não mudou, a gente está mantendo a paridade de importação, temos a opção de seguir (o reajuste) diário, desde que isso não se traduza em uma volatilidade excessiva", disse a jornalistas o diretor-executivo da Área Financeira e de Relacionamento com Investidores, Rafael Grisolia, em uma coletiva sobre o tema no Rio de Janeiro.


"Quando a volatilidade do mercado estiver muito excessiva, a gente poderá utilizar essas opções."

Os princípios de preço de paridade internacional (PPI), margens para remuneração dos riscos inerentes à operação e nível de participação no mercado continuam em vigor, assim como a correlação com as variações do preço da gasolina no mercado internacional e a taxa de câmbio, explicou Grisolia.


O diretor-executivo de Refino e Gás Natural da Petrobras, Jorge Celestino, disse que a compra dos derivativos de gasolina no mercado futuro norte-americano será realizada assim que for visualizada uma volatilidade importante no mercado.

O executivo citou como um exemplo de fenômeno que gerou volatilidade a tempestade tropical Gordon, que impactou recentemente as referências internacionais do petróleo.

"O que essa ferramenta está tirando é a volatilidade. Se existe uma tendência de aumento, ela tira essa variação, mas o delta no final dos períodos se mantém", disse Celestino.

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PRESSÃO?

Questionados sobre o momento escolhido para adotar a medida, se ela estaria relacionada a pressões sociais, vindas do cenário de eleições e após as manifestações de caminhoneiros, o diretor de refino não respondeu diretamente.

A decisão, segundo ele, também foi fruto de aprendizados da companhia.

"Obviamente aprendemos com sinais que outros agentes têm encaminhado para a Petrobras... Na verdade, isso é uma trajetória de sofisticação da política de preços da Petrobras, que permanece mantida."

Em nota, a Petrobras frisou que o preço da gasolina da Petrobras se refere ao produto vendido nas refinarias para as distribuidoras.

"Esse preço representa cerca de um terço do valor do combustível vendido nos postos ao consumidor final. Entram na composição de preços ao consumidor, ainda, o custo do etanol, os tributos e as margens de distribuidoras e revendedores", explicou.

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(Por Marta Nogueira, no Rio de Janeiro, e José Roberto Gomes, em São Paulo)

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