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Setor de serviços interrompe sequência positiva e encolhe 0,9% em agosto

Mesmo com a queda, o setor responsável por 70% do PIB ainda opera 11,6% acima do patamar pré-pandemia, mostra IBGE

Economia|Do R7

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Serviços prestados às famílias recuaram 3,8%
Serviços prestados às famílias recuaram 3,8%

O setor de serviços, responsável por cerca de 70% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional, reverteu a recente trajetória positiva e encolheu 0,9% em agosto. Trata-se da queda mais intensa do ramo desde abril (-1,7%), mostram dados apresentados nesta terça-feira (17) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Com a primeira queda em quatro meses, período com ganho de 2,1%, o segmento figura 11,6% acima do patamar pré-pandemia, mas ainda 1,9% abaixo do ponto mais alto da série histórica da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), alcançado em dezembro do ano passado.

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No mês, quatro das cinco atividades pesquisadas ficaram no campo negativo, com destaque para o setor de transportes (-2,1%). A taxa foi negativa em todos os modais: terrestres (-0,9%); aquaviário (-1,3%); aéreo (-0,3%) e armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio (-5,5%).

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Rodrigo Lobo, gerente responsável pela pesquisa, explica que o resultado dos transportes foi puxado, principalmente, pelo recuo nas atividades de gestão de portos e terminais e de transporte rodoviário de cargas.

“A gestão de portos e terminais, que está dentro do subsetor de armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio, vem apresentando perda de fôlego há algum tempo. [...] O transporte de cargas, por sua vez, atingiu o ápice em julho de 2023, ou seja, está com uma base de comparação muito elevada”, destaca Lobo.

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O pesquisador ainda explica que, desde o pós-pandemia, o transporte rodoviário de cargas vinha apresentando crescimento de receita, por causa, num primeiro momento, do boom do comércio eletrônico, que aumentou a demanda por frete rodoviário, e, posteriormente, influenciado também pelo dinamismo da produção agrícola, que vem mostrando recordes de safra.

Lobo ressalta que, historicamente, a produção agrícola é mais concentrada no primeiro semestre do ano. “Vamos observar como o transporte de cargas se comportará no segundo semestre com uma produção agrícola menos pujante”, afirma o gerente da PMS.

Famílias

Os serviços prestados às famílias também contribuíram para o resultado negativo ao recuar 3,8% em agosto, após acumular ganho de 4,8% entre abril e julho, registrando o segundo maior impacto negativo para o índice geral. “O setor agora devolve boa parte desse ganho, com a queda ocorrendo basicamente em restaurantes e hotéis, principais componentes em termos de peso”, diz Lobo.

O pesquisador ressalta ainda que julho é mês de férias, quando as famílias aumentam o consumo por serviços de alimentação e hospedagem, elevando assim a base de comparação para o mês subsequente.

Segundo o IBGE, o segmento de serviços prestados às famílias segue como o único a não superar o patamar pré-pandemia, operando 5,8% abaixo do nível de fevereiro de 2020, após ter registrado no mês de julho o menor distanciamento já observado de lá para cá (-2,1%).

Outras atividades

O terceiro impacto negativo mais importante veio da atividade de informação e comunicação (-0,8%), que registra a segunda queda seguida, com retração de 1% no período. “Essa queda se deu por causa de perdas de receita de empresas que atuam com consultoria em tecnologia da informação e também em telecomunicações”, explica Lobo.

A atividade de outros serviços registrou o quarto impacto negativo (-1,4%), influenciada por uma menor receita que veio das corretoras de títulos e valores mobiliários e também das atividades de apoio à agricultura.

Por outro lado, a única atividade a registrar crescimento foram os serviços profissionais, administrativos e complementares, que subiram 1,7% em agosto, taxa mais intensa desde março de 2023 (3,8%). Nesse setor, destacam-se atividades de limpeza, atividades jurídicas e serviços de engenharia.

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