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Polícia: inteligência determinou prisão de traficante Bob do Caju

Órgão afirma ter fiscalizado os deslocamentos do chefe do tráfico

Economia|Da Agência Brasil

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Bob do Caju foi preso no bairro da Cacuia
Bob do Caju foi preso no bairro da Cacuia

A prisão do traficante Luiz Alberto Santos de Moura, conhecido como Bob do Caju, na Ilha do Governador, na zona norte do Rio de Janeiro, e a apreensão de 10 fuzis na comunidade do Caju, na região portuária, foram feitas após informações obtidas em ações de inteligência de delegacias especializadas.

De acordo com a Polícia Civil, as atividades visaram identificar deslocamentos de chefes do tráfico e armamento em poder dos bandidos.

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O delegado titular da DRF (Delegacia de Roubos e Furtos) da Polícia Civil, Maurício Mendonça, disse neste sábado (23) que as investigações indicaram onde estavam o traficante e o armazenamento de fuzis que seriam levados do Caju para o Morro de São Carlos, na região central da cidade.

— Fizemos duas ações simultâneas; uma que resultou na captura do Bob, na Ilha do Governador, em uma área estritamente residencial, e a outra ação na comunidade do Caju, específica, com o objetivo de apreender esse material. As ações foram feitas com êxito. Nenhum tiro foi disparado. O criminoso foi preso e não reagiu. Estava portando uma pistola.

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Bob do Caju foi preso no bairro da Cacuia, na casa de uma pessoa com quem ele mantinha contato. Ele pediu abrigo até deixar passar o período das operações policiais no Morro de São Carlos onde estava escondido.

Maurício Mendonça chamou atenção para o fato de alguns fuzis apreendidos terem um adesivo com o boneco do desenho animado Fantástico Mundo de Bob, tendo abaixo a inscrição Caju só Paz.

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— As armas ostentam o símbolo do boneco Bob, fazendo referência a ele, justamente fuzis para serem emprestados e depois ser facilmente identificada a origem do armamento. Por isso, a logomarca é usada.

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O delegado revelou ainda que a polícia está investigando se Bob do Caju teve algum tipo de participação na tentativa de retomada do poder do tráfico na Rocinha em apoio a Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, preso na penitenciária federal de Porto Velho (RO). Nem é aliado de Bob na facção criminosa.

Grupo de criminosos

A participação seria por meio da organização de um grupo de criminosos e a entrega de armas que seriam usadas na movimentação, explica o delegado.

— Há uma possibilidade de ele não ter participado diretamente porque estava ferido. Ele sofreu um tombo de moto e estava bastante machucado no domingo.

As armas foram encontradas dentro de um carro na saída da comunidade do Caju e com a chave na ignição esperando o motorista chegar para levar, possivelmente, até o Morro de São Carlos, de onde seriam distribuídas.

“Está sendo apurado se essas armas, efetivamente, foram empregadas [na tentativa de retomada do poder]. Há indícios que sim”, acrescentou Mendonça, destacando, que criminosos da mesma facção, mesmo em comunidades diferentes, sempre se unem para manter o poder.

Dos fuzis apreendidos, apenas um é de fabricação nacional. Agora, a Desarme (Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos) vai fazer o rastreamento das armas para saber como chegaram aos traficantes. O trabalho será difícil porque os números de identificação foram raspados, como já aconteceu quando foram apreendidos 60 fuzis no Aeroporto Internacional Galeão/Tom Jobim, em junho deste ano.

O delegado revelou ainda que investigações desse e de outros casos indicam que o transporte de armas de uma comunidade para outra tem sido feito por carros dirigidos por apenas uma pessoa.

— O armamento hoje circula entre as comunidades em carros normalmente clonados com uma pessoa sozinha [ao volante]. As informações de inteligência revelam que isso é um fato. A pessoa bota o armamento no carro e vai sozinha levando as armas justamente para não despertar a atenção da polícia. O veículo ficou estacionado, pronto para o motorista chegar, dirigir até o local do destino, estacionar e voltar de ônibus, táxi ou de carona. Essa é a dinâmica.

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