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Preço do aluguel comercial cai 30% em média no centro de São Paulo, mas faltam interessados

Regiões tradicionais, como o Brás e a 25 de Março, estão com imóveis ociosos

Economia|Juca Guimarães, do R7

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Imóveis para comércio no centro da cidade aguardam locadores
Imóveis para comércio no centro da cidade aguardam locadores

Portas fechadas e placa de "Aluga-se" dominam a paisagem movimentada das ruas de comércio no centro de São Paulo. Antes disputados e com fila de espera para locação, os imóveis comerciais estão ficando mais tempo fechados entre um inquilino e outro. "No último trimestre de 2015, o volume de imóveis vagos aumentou e a procura caiu. Muitos comerciantes tiveram que fechar por conta da crise", disse Fábio Khurbi, vice-presidente da AABIC (Associação dos Administradores de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo).

Desde o início do mês, a procura aumentou um pouco por conta da redução de 30%, em média, no valor dos aluguéis comerciais.


— O aluguel de um bom ponto que era de R$ 50 mil caiu e chega a R$ 35 mil. Mesmo assim, faltam interessados. Como o momento é de crise, não tem muita gente querendo arriscar abrindo um negócio.

Na região da 25 de Março, tem pelo menos dez imóveis vagos. "A recuperação do mercado está diretamente ligado à política econômica do governo. Se for feito alguma coisa agora, daqui a quatro meses serão três ou quatro só. Se não for feito nada para aquecer o consumo, serão 15 ou 20 lojas fechadas", calculou Khurbi.


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O fechamento de lojas também refletiu no mercado de trabalho para os comerciários na capital paulista. O presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah, avaliou a situação.


— O comerciário não consegue uma recolocação rápida no mercado de trabalho. Até 2014, o cenário era dinâmico. O trabalhador saia de uma loja e em pouquíssimo tempo arranjava emprego em outra. Agora, a loja fecha e não há opção de trabalho a curto prazo.

Para Patah, o fechamento das lojas tem relação com a falta de segurança nas regiões tradicionais de comércio de rua e a concorrência com as lojas virtuais.


— A prefeitura na atual gestão reduziu a operação delegada, que garantia um reforço no policiamento. Os roubos a consumidores aumentaram e as vendas caíram. O roubo de lojas também aumentou e o medo faz com que os comerciantes fechem as portas.

Segundo o sindicalista, o comércio virtual é o outro fator de declínio no varejo tradicional. "Os sites têm custos menores e é uma concorrência desleal com quem paga o aluguel da loja física. Cada vaga de emprego no comércio virtual tira quatro postos de trabalho nas lojas", disse.

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