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Recorde de recuperações judiciais pode gerar ‘efeito cascata’, diz especialista

Dados da Serasa Experian mostram maior volume de processos desde 2016 e recorde de empresas envolvidas

Economia|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Em 2025, o Brasil registrou o maior número de recuperações judiciais desde 2016, com 977 processos, segundo a Serasa Experian.
  • O número de empresas envolvidas em recuperações judiciais atingiu um recorde de 2.466, 13% a mais que no ano anterior.
  • Recuperações judiciais podem afetar empresas fora do processo, alterando a percepção de risco e impactando cadeias de fornecimento, financiamento e operações.
  • Os setores de Agropecuária e Serviços são os mais afetados, e os próximos meses mostrarão se há uma crise generalizada ou estratégias empresariais específicas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Efeitos podem se espalhar por fornecedores, cadeias de produção e capital de giro Marcello Casal Jr/Agência Brasil - Arquivo

O número de recuperações judiciais no Brasil atingiu em 2025 o maior patamar desde 2016, segundo o último Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da Serasa Experian. Foram registrados 977 processos ao longo do ano, alta de 5,5% em relação a 2024.

O levantamento também identificou 2.466 empresas envolvidas nos processos, número recorde da série e 13% superior ao registrado no ano anterior.


Segundo Sérvulo Mendonça, chairman da Holding SM e especialista em contabilidade tributária, controladoria e controles internos, esse grande número pode gerar efeitos sobre empresas que sequer estão em recuperação.

“Uma recuperação judicial não produz efeitos apenas sobre a empresa que pediu proteção. Ela altera a percepção de risco de toda a cadeia e pode provocar mudanças concretas na maneira como outras empresas compram, vendem, financiam estoques e administram capital de giro”, explica.


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Efeito cascata

Segundo Mendonça, quando uma empresa enfrenta dificuldades, fornecedores podem reduzir prazos, exigir pagamentos antecipados ou interromper o fornecimento. As mudanças podem afetar toda a cadeia da empresa.

“Aquilo que começou como um problema de crédito passa a atingir praticamente toda a estrutura econômica da operação. Muda o custo de aquisição, pode mudar o CMV (Custo da Mercadoria Vendida), a margem bruta, o prazo médio de pagamento, a necessidade de capital de giro e, eventualmente, até o preço que chega ao consumidor”, pontua.


Os setores de Agropecuária e Serviços concentram a maioria dos CNPJs envolvidos em recuperações judiciais, refletindo a maior exposição dessas atividades a ciclos econômicos e de demanda voláteis.

Para Mendonça, o principal ponto de atenção não está apenas nas empresas que já entraram em recuperação, mas nos efeitos que elas podem provocar sobre outras companhias.


“É justamente por isso que o recorde de recuperações judiciais merece atenção. O risco não está apenas no número de empresas que já entraram em recuperação, mas nas decisões que aquelas recuperações começam a provocar nas empresas que ainda estão fora delas.”

De acordo com o especialista, os próximos meses indicarão se os pedidos de recuperação judicial são pura estratégia das empresas ou sinal de uma crise generalizada.

“Se isso acontecer de forma disseminada, a tempestade não aparecerá primeiro no pedido de recuperação judicial. Ela aparecerá antes no CMV, na margem, no prazo médio de pagamento e, principalmente, no caixa”, finaliza.

Recuperação judicial

A recuperação judicial é um processo formal conduzido no Judiciário em que a empresa apresenta um plano de reestruturação aos credores, sob supervisão de um administrador judicial e dentro de prazos legais.

Por envolver etapas processuais, assembleias e fiscalização, as negociações podem se estender por meses ou anos, dependendo da complexidade de cada caso.

Os dados apontam para um ambiente empresarial marcado por maior seletividade na concessão de crédito e dificuldades de financiamento.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.

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