Renegociação de dívidas do agro tem ‘caráter eleitoral’, avalia economista
Segundo Fernando Agra, proposta aprovada no Senado é mais uma ameaça à dívida pública
Economia|Do R7, com RECORD NEWS
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A renegociação de dívidas de produtores rurais foi aprovada pelo Senado em votação simbólica nesta quarta-feira (10). Receoso quanto à proposta, o governo federal teme o impacto que o projeto pode causar nas contas públicas nos próximos anos. Em entrevista ao Conexão Record News, o economista Fernando Agra concorda que a medida foi tomada muito rapidamente.
“A gente começa a perceber que essa decisão pode ter um conselho muito mais político de enfrentar o governo do que realmente resolver a situação”, pontua o especialista. “É realmente uma pauta-bomba em torno de 140 bilhões que podem custar aos cofres públicos ao longo dos próximos dez anos.”

Agra insiste que a classe política “precisa entender que, para ofertar todo esse crédito, ela tem que saber de onde vai tirar”. Diante do problema fiscal que o governo já vive, com uma dívida pública que já ultrapassa 80% do PIB, o especialista afirma que a questão precisará ser navegada com muito cuidado.
“O que eu observo é que decisões como essa têm muito mais um caráter agressivo, um caráter eleitoral de peitar o próprio governo, que é ter que resolver a situação. Faço o voto de que, quando chegar à Câmara dos Deputados, tenha mais serenidade para resolver isso e buscar as alternativas, sem onerar tanto.”
Para garantir uma linha especial de financiamento de dívidas, os senadores aprovaram o uso de diferentes fontes de recursos, que incluem o fundo social da exploração de petróleo no pré-sal. O projeto aprovado beneficia produtores, associações e cooperativas que tenham passado por perdas de safra e redução de renda.
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