Dívida pública do Brasil deve alcançar 100% do PIB em 2027, estima FMI
Fundo alerta para juros elevados e efeitos da guerra no Oriente Médio; previsão é de que Brasil termine 2026 com dívida de 96,5%
Economia|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
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Até 2027, a dívida pública bruta do Brasil deve atingir o nível de 100% do PIB (Produto Interno Bruto) — soma dos bens e serviços produzidos no país, segundo estimativas do FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgadas nesta quarta-feira (15). Para este ano, a organização prevê que o Brasil termine o exercício com dívida de 96,5%.
A dívida pública está relacionada aos recursos captados pelo governo, por meio de empréstimos e emissão de títulos, com o objetivo de financiar políticas públicas, cobrir déficits orçamentários e honrar garantias assumidas, inclusive no âmbito do Regime de Recuperação Fiscal.
Ainda de acordo com as estimativas do FMI, a previsão é de que, até 2031, o patamar continue crescendo, podendo alcançar 106,5% do PIB. A tendência é a mesma para grande parte das principais economias do mundo.
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Segundo a organização, as finanças públicas estão sob pressão devido ao aumento dos gastos — com necessidades sociais, defesa e autonomia estratégica — e ao crescente peso dos juros. Além disso, existem as consequências fiscais do conflito no Oriente Médio, que agravam ainda mais o cenário.
Em um contexto global, a dívida pública bruta subiu para quase 94% do PIB em 2025 e, seguindo as trajetórias atuais, atingirá 100% em 2029, um nível anteriormente alcançado apenas após a Segunda Guerra Mundial.
“Uma preocupação central não é apenas o elevado nível da dívida global, mas também a trajetória implícita pelas atuais condições fiscais. Taxas de juros mais altas e maior sensibilidade do mercado às notícias fiscais sugerem que o espaço para acomodar essa trajetória está diminuindo”, pontuou o Fundo.
“O déficit fiscal global — a diferença entre os saldos primários projetados e os níveis necessários para estabilizar a relação dívida/PIB — praticamente desapareceu, passando de uma margem de segurança de mais de 1% do PIB há uma década para perto de zero hoje”, acrescentou.
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