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Sem reforma, governo terá de cortar R$ 14 bi do Orçamento de 2019

Governo vai revisar programas sociais e políticas públicas. Ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, diz que um dos objetivos é combater fraudes

Economia|Do R7

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Previdência saiu da pauta do Congresso Nacional
Previdência saiu da pauta do Congresso Nacional

Sem a aprovação da reforma da Previdência, o governo terá de cortar R$ 14 bilhões de outras áreas na proposta do Orçamento da União de 2019. Esta era a economia de despesas que o governo previa para o ano que vem com a aprovação da reforma, informou o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

Essa é a primeira e mais visível consequência da retirada da reforma da pauta da Câmara, depois que o presidente Michel Temer decretou intervenção federal no Rio — o que impede a tramitação de propostas de emenda à Constituição. Para este ano, o impacto da reforma da Previdência nas contas estava previsto em R$ 5 bilhões, mas o governo já não contava com esses recursos do Orçamento.

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Para reduzir as despesas no ano que vem, o ministro antecipou que o governo vai reforçar a revisão de políticas públicas e programas, para saber onde cortar. Segundo Oliveira, poderá, por exemplo, haver unificação de programas. Mas não quis citar exemplos. "O processo é sigiloso e é preciso cautela neste momento", afirmou.

"A partir de agora, começa um trabalho muito duro de análise e revisão das reais necessidades de recursos de cada programa e, principalmente, da efetividade e suscetibilidade a fraudes", disse. Segundo ele, o trabalho do Comitê de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas, que já vem promovendo iniciativas desse tipo, será ampliado.

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O Comitê já promoveu a revisão do auxílio-doença, Fies e seguro-defeso - com reduções de gastos bilionários para o governo. E está em andamento o trabalho com o BPC (Benefício de Prestação Continuada, pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda) e com o Bolsa Família.

"Não é questão de gordura. É questão de focalização de recursos em programas que tenham níveis de efetividade maior", disse. Na prática, isso significa que os programas que dão mais resultados terão mais recursos.

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Teto

Apesar da frustração com a retirada da reforma da Previdência da pauta do Congresso, o ministro disse que o teto de gastos não vai estourar em 2019. A previsão de estouro do teto - instrumento que impede o crescimento dos gastos além da inflação — foi feita no início da semana pela IFI (Instituição Fiscal Independente), do Senado Federal.

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"Não estoura porque ainda vai ser possível cumprir o Orçamento. Mas evidentemente será um orçamento apertadíssimo", disse. Segundo ele, a questão fiscal de curto prazo já está encaminhada com o aumento da arrecadação e as medidas que já tinham sido discutidas, e que fazem parte da agenda econômica que está para ser votada no Congresso, como a desoneração da folha e as MPs (medidas provisórias) do adiamento do reajuste dos servidores e aumento da contribuição previdenciária do funcionalismo. "Para 2018, não temos necessidade de nenhuma medida adicional", previu.

A proposta de Orçamento do primeiro ano do próximo presidente será encaminhada em agosto.

Após as críticas dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), à agenda de prioridades econômicas anunciada pelo governo esta semana — eles deixaram claro que o Planalto não pode definir a pauta do Legislativo -, Dyogo Oliveira assumiu um tom conciliador: "Essa pauta não é uma imposição do governo ao Congresso, que tem sua própria pauta. Cabe aos presidentes das Casas definirem". 

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