Tarifaço dos EUA afeta comércio exterior brasileiro; exportações caem 9,1% e China ganha espaço
Parceria de comércio com a China avança 17,8%; especialista acredita que crescimento da exportação é ‘estratégia de sobrevivência’
Economia|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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Dados divulgados pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) revelam que as exportações brasileiras para o mercado norte-americano caíram 9,1% em março. Ao mesmo tempo, o fluxo comercial com a China cresceu 17,8%, reforçando a migração do comércio brasileiro para o mercado asiático.
Essa queda se deve à sobretaxa de 50% aplicada pelo governo do presidente Donald Trump a produtos brasileiros no ano passado. Por isso, a balança comercial com os EUA fechou março com déficit de US$ 420 milhões.
O principal contraponto à queda com os EUA foi a China. A corrente de comércio com o país asiático teve forte expansão, impulsionada também pelo avanço de 32,9% nas importações de produtos chineses.
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Para Rodrigo Giraldelli, CEO da China Gate e especialista em importação, o movimento representa uma resposta direta do mercado às barreiras tarifárias americanas.
“A migração de importadores e exportadores para o mercado chinês não é apenas uma escolha preferencial, mas uma estratégia de sobrevivência. As barreiras tarifárias dos EUA encareceram produtos de valor agregado da indústria de transformação brasileira, tornando-os menos competitivos no mercado americano”, afirma.
Estratégias brasileiras
Para os importadores brasileiros que dependiam de componentes americanos, que agora ficaram mais caros, a estratégia é a substituição. Segundo Rodrigo, as empresas estão adotando três medidas práticas:
- Buscando fornecedores em países que possuem acordos de livre comércio tanto com o Brasil quanto com os EUA, tentando contornar as sobretaxas diretas;
- Substituindo componentes de origem americana por similares chineses ou de países do Sudeste Asiático, aproveitando a logística já estabelecida com a China;
- Intensificando o uso de regimes aduaneiros especiais para desonerar a importação de insumos que serão reexportados, tentando preservar margens de lucro espremidas pela queda de 9,1% nas vendas externas para os EUA.
Alívio temporário
A mudança de rota, no entanto, acende um alerta sobre a crescente dependência brasileira em relação à China. Hoje, o país asiático já responde por mais de um terço do comércio exterior do Brasil.
Para Giraldelli, esse cenário representa ao mesmo tempo um alívio imediato e um risco estrutural.
“No curto prazo, a China oferece a liquidez necessária para manter a balança comercial no azul e compensar o vácuo deixado pelos Estados Unidos. Já no longo prazo, a concentração excessiva em um único parceiro torna o Brasil vulnerável a oscilações políticas em Pequim ou a uma desaceleração da economia chinesa”, avalia.
Apesar disso, a balança comercial brasileira, como um todo, registrou desempenho positivo no mês. Segundo o MDIC, as exportações totais do país somaram US$ 31,6 bilhões, alta de 10% em relação a março de 2025.
As importações cresceram 20,1%, alcançando US$ 25,2 bilhões, enquanto o saldo comercial ficou em US$ 6,4 bilhões — 17,2% menor do que o registrado no mesmo mês do ano passado.
*Estagiária sob supervisão de Joana Pae, editora de texto
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