Um talento brasileiro e muito promissor no Vale do Silício

Jovem prodígio de apenas 23 anos, Lawrence Lin Murata, formado por Stanford,  é sócio de uma startup de R$ 9 milhões que investe em mobilidade

Um talento brasileiro no Vale do Silício

Lawrence Lin Murata, o Law, um jovem talento brasileiro no Vale do Silício

Lawrence Lin Murata, o Law, um jovem talento brasileiro no Vale do Silício

Arquivo Pessoal

A história do jovem Lawrence Lin Murata de apenas 23 anos renderia um roteiro para o cinema. Law, como é conhecido, criou a startup Newton, com sede na cidade de Palo Alto, no Vale do Silício, avaliada em R$ 9 milhões e que investe em inteligência artificial para desenvolver soluções para o trânsito seguro e mobilidade urbana.

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Um trabalho que aposta na tecnologia para resolver questões sociais. “A mobilidade urbana e, em especial, o número mortes no trânsito, são problemas de escala global”, diz Law. “Nosso objetivo é desenvolver tecnologia para evitar acidentes, usamos os smartphones para alertar os motoristas por comandos de voz”.

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Ainda em fase de testes, esse software deve estar disponível para o público no próximo ano. Para desenvolver sua pesquisa, Law conseguiu um aporte financeiro de investidores de peso do Vale do Silício como Pejman Nozad — considerado pela Forbes como um dos mais bem-sucedidos investidores anjo e um dos pioneiros a apostar na Dropbox.

Também fazem parte da equipe da Newton um ex-funcionário da Apple e um professor de laboratório de Stanford. “Sven Beiker é o nosso conselheiro, ele é professor de Stanford,  especialista em mobilidade e foi executivo na BMW por mais de uma década. E Ravindhran Sankar trabalhou na Apple por 3 anos, onde criou os algoritmos que calibram o 3D touch do iPhone.”

A história desse jovem empreendedor de sucesso começou nas salas de aula do Colégio Bandeirantes, na zona sul de São Paulo.  Após participar de uma feira de profissões descobriu duas coisas. Primeiro, a possibilidade de estudar fora do país. Segundo, um pouco mais sobre programação.

Ingressar em uma universidade americana se tornou objetivo de vida. “Conheci o SAT, que seria algo parecido com um vestibular aqui no Brasil, também percebi que precisaria me engajar em outras atividades para ser aprovado. Participei de alguns cursos, entre eles um de programação, e até criei um projeto de pesquisa de conscientização ambiental através da arte”.

A programação surgiu aos 15 anos, quase como uma brincadeira. “Comecei a programar como autodidata para administrar os trocos que colocávamos em um cofrinho, que eu e meus irmãos chamávamos de banco”.

Toda dedicação para ingressar em uma universidade americana funcionou. Law foi aprovado no curso de Ciências da Computação na Universidade de Stanford. “Meus pais ficaram surpresos, eles imaginavam que eu faria outra faculdade de engenharia”.

Começava aqui a segunda etapa da jornada. Sem dinheiro para bancar o curso, o jeito foi passar o chapéu. Um dos pioneiros a fazer um crowdfunding, uma vaquinha pela internet, chamou a atenção da imprensa.  “A plataforma, na época, era uma novidade, eram 14 alunos buscando apoio para estudar fora do Brasil e conseguimos US$ 200 mil em quatro meses.”

Após a publicação de uma reportagem, um empresário pagou os custos de sua estadia no exterior. “Tivemos apoio do banco BTG Pactual e da Fundação Estudar e um empresário pagou boa parte dos custos com o meu curso, que ele chamou de ‘bolsa Tizinha’, em homenagem a uma mulher que valorizava as características que eu tinha”.

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Durante a faculdade, trabalhou na Apple com inteligência artificial, em especial com o software Siri. “Não limite a sua imaginação, mesmo que você desenvolva algo que ainda não tenha estrutura, chegaremos lá, essa frase ouvi de um gestor quando comecei a trabalhar ali”.  Law também passou pela Microsoft e grupo Washington Post.

Law na formatura na Universidade de Stanford

Law na formatura na Universidade de Stanford

Arquivo Pessoal

Ainda na faculdade, no segundo ano, criou o grupo CS+Social Good a primeira organização de Stanford com o objetivo de usar a computação para causar impacto social. Hoje, o grupo está presente em 14 universidades entre elas Princetown e a USP.

“Apoiamos projetos nos cinco continentes.” Entre as ações, foi criada uma bolsa para pagar salários competitivos para que alunos possam trabalhar na área da computação com viés social em países mais pobres, como na África. Na Europa, já foi desenvolvido um trabalho com refugiados.

Nesse grupo, com apenas 20 anos, Law teve a oportunidade de dar aulas em Stanford. “Em todas as experiências que tive, sempre procurei aprender coisas com quem admiro e aplicar no meu dia a dia e transmitir isso.”

Law busca parcerias para a Newton, sua startup e seu projeto de mobilidade urbana. “Tenho a intenção de criar parcerias com o Brasil, têm vários problemas que gostaria de ajudar a resolver.”