Economia Varejo prevê maior crescimento de vendas no Natal em 6 anos

Varejo prevê maior crescimento de vendas no Natal em 6 anos

Estimativa é arrecadar R$ 35,9 bilhões, o que representa um incremento de 4,8% em relação a 2018 – percentual não verificado desde 2013

Varejo prevê maior crescimento de vendas no Natal desde 2013

Shopping com decoração de Natal. Vendas devem ter maior crescimento dos últimos anos

Shopping com decoração de Natal. Vendas devem ter maior crescimento dos últimos anos

Pixabay

O varejo brasileiro prevê o maior crescimento de vendas dos últimos seis anos para o período do Natal, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A estimativa é arrecadar R$ 35,9 bilhões, o que representa 4,8% mais do que no ano passado.

Esse percentual na principal data para o comércio no ano não é registrado desde 2013, quando o crescimento foi de 5%. Caso essa previsão se confirme, o varejo voltará ao patamar de vendas natalinas de 2014, ano considerado o do início da crise econômica por analistas. Em 2015 e 2016, a variação chegou a ser negativa (veja abaixo).

Faturamento do varejo no Natal

Faturamento do varejo no Natal

Arte/R7

Segundo o economista da CNC, Fabio Bentes, a previsão otimista se dá em razão de quatro fatores principais: inflação baixa, maiores prazos de crédito para o consumidor, liberação de recursos como Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) e Pis/Pasep e a leve melhora no mercado de trabalho.

“A inflação baixa, com IPCA abaixo de 3% ao ano, ajuda a preservar o poder de compra. O consumidor não sente que o dinheiro está indo embora tão rápido”, diz Bentes.

Aliado a isso, os prazos de parcelamentos estão maiores, e subiram de uma média de 7,4 meses há um ano para um período de 8,2 meses, segundo dados do Banco Central. “Isso permite que o consumidor pague parcelas menores por mês e entenda que aquela despesa cabe no bolso”, afirma Bentes.

Outro fator que estimula o crescimento, segundo o economista da Confederação Nacional do Comércio, é a injeção de recursos na economia feita pelo governo federal, que disponibilizou R$ 42 bilhões do FGTS em parcelas individuais de até R$ 500, além de liberar R$ 2 bilhões em recursos do PIS/Pasep.

“Os resultados do segundo semestre vão todos surfar nessa onda do FGTS. Ainda que seja um resultado artificial, é um resultado positivo”, diz. O Dia das Crianças, por exemplo, considerado um termômetro para o Natal, foi provavelmente o melhor dos últimos anos para o varejo - o que ainda será confirmado pelos números oficiais.

Shoppings
Os recursos extras são comemorados também pela Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), que tem cerca de 35 mil associados. O diretor institucional da entidade, Luís Augusto Ildefonso, destaca que esses recursos, aliados a taxa de juros mais baixa e à pequena melhora no mercado de trabalho, podem fazer a diferença.

A taxa Selic chegou a 5,5% em setembro, a menor da história, o que teve como reflexo a redução de juros dos bancos. A taxa de desemprego também caiu após chegar a 12,7% de desocupados no trimestre terminado em março e ficou em 11,8% no período de três meses terminado em agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ildefonso afirma que os benefícios se darão em relação a dois grupos: “Consumidores endividados poderão abater suas dívidas entrado novamente no mercado de financiamento. A outra parte dos que não tinham dívidas vai ter uma renda extra que alimenta a vontade de comprar. Isso dá um alento para ter um Natal bom”, afirma.

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Cautela

Apesar do otimismo, os especialistas ainda pedem cautela em relação a uma retomada do varejo. “Nada para soltar foguetes ainda”, ressalva Ildefonso, que afirma que o país precisa prosseguir em suas reformas e aumentando sua eficiência para que o comércio tenha a melhora desejada.

É consenso que o país precisa ter um crescimento maior para que os resultados na economia sejam mais expressivos. Bentes cita o fato de o Produto Interno Bruto (PIB) estar crescendo em torno de 1% ao ano desde 2017, o que é considerado pouco. Além disso, a queda no desemprego ainda patina, já que a pequena queda na taxa de desocupados foi acompanhada também de um aumento da informalidade. Segundo o IBGE, 41,3% dos ocupados são trabalhadores informais.

Temporários

A previsão de aumento de vendas também se reflete na contratação de temporários. Segundo a CNC, serão contratados 91 mil trabalhadores temporários neste fim de ano para atender ao aumento sazonal das vendas. O número é 4% maior do que o registrado em 2018 (87,5 mil). A Alshop prevê um número um pouco maior: 100 mil temporários.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), as contratações devem aumentar 28% em comparação com o mesmo período de 2018.

Indústria

A estimativa de melhores resultados também é compartilhada pela indústria, que prevê uma leve melhora no segundo semestre. Segundo André Rebelo, economista e assessor estratégico da presidência da Fiesp, a federação das indústrias de São Paulo, um dos pontos positivos foi a produção para o Natal, em setores como os de roupas, eletrodomésticos, embalagens e alimentos.

Rebelo afirma que a economia está em expansão, puxada principalmente pelo consumo doméstico, e que isso ajuda a indústria a se refazer de perdas decorrentes da crise argentina, o principal comprador de produtos industrializados brasileiros. A venda de automóveis, por exemplo, caiu cerca de 50%.

“Deve ser um ano melhor. A gente não sabe a intensidade da retomada, ela é lenta, não sabemos se vai engrenar e acelerar. Ou se vai enganar a gente no começo deste ano”, diz.