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Vencedor do primeiro leilão de rodoviárias será conhecido hoje

Vai ganhar a disputa quem apresentar a menor tarifa de pedágio em relação ao teto estipulado

Economia|Do R7

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O vencedor da primeira disputa do pacote de R$ 200 bilhões em investimentos em infraestrutura de transporte e logística do governo federal será conhecido nesta quarta-feira (18), no leilão da BR-050, que corta os Estados de Goiás e Minas Gerais.

Grande parte das atenções estará sobre o deságio que será alcançado na disputa, pois esse fator pode diminuir o impacto negativo no pacote de concessões causado pelo esvaziamento do leilão da BR-262 (ES/MG), trecho tratado com um dos mais interessantes dentre os nove que serão concedidos à iniciativa privada e que não recebeu nenhuma oferta.

No último leilão de rodovia realizado pelo governo federal, há exatamente um ano e oito meses, o consórcio liderado pela EcoRodovias venceu o trecho de 475,9 quilômetros da BR-101 (BA/ES) ao oferecer uma redução de 45,63% na tarifa básica proposta no edital.

O ministro dos Transportes, César Borges, disse, em evento na capital paulista, na semana passada, que é impossível prever o teor das propostas que serão reveladas a partir das 10 horas de hoje na BM&FBovespa, mas que seria muito bom se o deságio da BR-050 chegasse próximo ao da BR-101. O vencedor da disputa desta quarta-feira (18), será aquele que apresentar a menor tarifa de pedágio em relação ao teto estipulado pelo governo, de R$ 0,0787 por quilômetro.

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Oito interessados entregaram propostas: EcoRodovias, Construtora Cowan, Coimex, Rio Novo Locações, Tervap Pitanga Mineração e Pavimentação, A. Madeira Indústria e Comércio, Contek Engenharia e Urbesa (Consórcio Verdemar); Fidens Engenharia, Aterpa, Via Engenharia, Construtora Barbosa Mello e Carioca Engenharia (Consórcio Rodovia do Sertão); Invepar e Odebrecht Transport (Consórcio Invepar-Odebrecht Transport); Senpar, Construtora Estrutural, Construtora Kamilos, Engenharia e Comércio Bandeirantes, Greca Distribuidora de Asfaltos, Maqterra Transportes e Terraplenagem, TCL Tecnologia e Construções, Ellenco Construções e Vale do Rio Novo (Consórcio Planalto); além das companhias que participam sozinhas Triunfo Participações e Investimentos, Construtora Queiroz Galvão, Arteris e CCR, esta por meio da controlada Companhia de Participações em Concessões. Nenhum deles foi desclassificado na análise da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) das garantias de proposta.

O trecho da BR-050 que está em jogo tem 436 quilômetros, desde o entroncamento com a BR-040, em Cristalina (GO), até a divisa de Minas Gerais e São Paulo, no município de Delta. De acordo com o edital, as obras de duplicação precisam estar prontas no prazo de cinco anos, com permissão para a concessionária cobrar tarifa só após a conclusão de, ao menos, 10%.

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A concessão tem prazo de 30 anos e a taxa interna de retorno (real) é de 7,2% ao ano. Como a disputa será realizada com inversão de fases, apenas os documentos de qualificação do primeiro colocado serão analisados pela a Comissão de Outorga, na quinta-feira. A assinatura do contrato está prevista para dia 9 de dezembro.

A BR-050 inaugura o pacote de 7,5 mil quilômetros concessões rodoviárias, que tem também no seu portfólio 11 mil quilômetros de ferrovias, os aeroportos de Galeão (RJ) e Confins (MG) e terminais portuários. O trecho de rodovia, no entanto, deveria dividir a estreia com a BR-262, cujo leilão fracassou ao não receber propostas.

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Os dois trechos foram tratados por analistas de mercado como os mais interessantes dentre os nove que serão concedidos pelo governo federal por conta da perspectiva de forte tráfego e de menor exigência de investimentos (Capex). O revés na BR-262 mostrou que o cenário não estava tão claro assim.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, jogou a culpa do fracasso da BR-262 em questões políticas. Espírito Santo e Minas Gerais, Estados por onde passa o trecho, são governados por PSB e PSDB, partidos que deverão concorrer contra a reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014. Parlamentares capixabas haviam se posicionado claramente contra a cobrança de pedágios elevados no Estado.

No mercado, além do risco institucional - que provocou temor nas empresas sobre continuidade de cobrança de pedágio na rodovia - os empresários apontaram questões técnicas como motivo do esvaziamento. Um executivo da Fidens Engenharia explicou que há trechos em que é desnecessário duplicar a BR-262, tendo em vista o volume de tráfego nesses locais e que a via se tornaria mais atrativa com alterações nos locais das praças de pedágio.

Rapidamente, o governo federal anunciou mudanças no processo de concessões: as rodovias mais atrativas deverão ser leiloadas primeiro e uma de cada vez. Analistas haviam dito ao Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, que o número de empresas no País é insuficiente para dar conta de todos os projetos de grande porte que estão sendo colocados na mesa pelo governo federal e empresas estrangeiras estariam assustadas com o componente risco político-institucional no atual ambiente de negócios brasileiro. A rejeição pela BR-262 pode ter ocorrido, então, por uma natural seleção de projetos.

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