Analfabetismo entre jovens com deficiência é 12 vezes maior, aponta IBGE
Dados do Censo 2022 mostram que 12,2% das pessoas de 15 a 29 anos com deficiência não sabem ler
Educação|Do R7, em Brasília
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A taxa de analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência é de 12,2%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O índice é 12 vezes maior que o registrado entre jovens da mesma faixa etária sem deficiência, que é de 1%.
Os dados são referentes a 2022 e constam da pesquisa “Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil”, divulgada nesta sexta-feira (18) pelo IBGE.
O levantamento também mostra que a desigualdade se mantém ao longo da trajetória escolar e está relacionada a diferenças no acesso à educação e a recursos de inclusão.
De acordo com o IBGE, entre os jovens com deficiência, 36,6% dos adolescentes de 15 a 17 anos que estudavam ainda estavam em etapas anteriores ao ensino médio, ante 26,5% dos estudantes sem deficiência; entre os que viviam abaixo da linha da pobreza, o percentual chegava a 39,3%.
No ensino superior, a desigualdade também aparece: 41,9% dos estudantes com deficiência de 18 a 24 anos chegavam à graduação, contra 56,9% dos sem deficiência, índice que caía para 25,1% entre os que estavam abaixo da linha da pobreza.

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Para a advogada especialista em direitos das pessoas com deficiência Adriana Monteiro, o analfabetismo pode ser explicado pelas barreiras enfrentadas pelos estudantes durante a vida escolar.
“Esse resultado não pode ser explicado pela deficiência em si”, afirma. Entre os obstáculos, ela cita a falta de recursos pedagógicos acessíveis, barreiras de comunicação, ausência de adaptações, insuficiência de tecnologias assistivas e formação inadequada dos profissionais que atuam na educação inclusiva.
Entre os jovens com deficiência, o índice de analfabetismo varia conforme o tipo de dificuldade. A taxa chega a 40,4% entre aqueles com dificuldades associadas a limitações nas funções mentais.
O percentual é de 34% entre pessoas com mais de uma dificuldade, 31,3% entre aquelas com dificuldade para pegar objetos pequenos e 23,3% entre quem tem dificuldade para caminhar ou subir degraus.
Entre os jovens com dificuldade para ouvir, a taxa é de 10%, enquanto entre os que têm dificuldade para enxergar é de 3,5%.
Barreiras começam na escola
Os dados também mostram diferenças na frequência escolar. Em 2022, 92,6% das crianças e adolescentes com deficiência de 6 a 14 anos frequentavam a escola, contra 98,4% daqueles sem deficiência. Entre jovens de 15 a 17 anos, os percentuais eram de 79,5% e 85,4%, respectivamente.
A situação é ainda mais desigual entre pessoas com deficiência profunda (restrições mais extremas). Na faixa de 6 a 14 anos, 82,3% frequentavam a escola, ante 95,6% entre aqueles com deficiência severa (restrições menos extremas). Dos 15 aos 17 anos, os percentuais eram de 65,6% e 82,8%.
Acessibilidade
Adriana cita a pobreza, dificuldades de transporte, necessidade de acompanhamento permanente e a falta de articulação entre educação, saúde e assistência social como fatores que podem prejudicar a permanência e o desenvolvimento escolar.
“Inclusão não significa simplesmente colocar o estudante com deficiência dentro de uma sala de aula”, afirma. Segundo a especialista, é preciso garantir condições para que o aluno participe das atividades, desenvolva suas potencialidades e consiga aprender.
Outro fator apontado pelo IBGE é a estrutura das escolas. Segundo o Censo Escolar, 78,5% das escolas de educação básica tinham ao menos algum recurso de acessibilidade, mas apenas 30% contavam com sala de recursos multifuncionais para o AEE (Atendimento Educacional Especializado) e 26,2% tinham profissional de apoio para alunos com deficiência.
Para reduzir a desigualdade, Adriana defende ações desde a primeira infância, com ampliação do Atendimento Educacional Especializado, formação continuada de professores e profissionais de apoio, materiais acessíveis, tecnologias assistivas e acessibilidade arquitetônica e comunicacional. Ela também cita a necessidade de integrar políticas de educação, saúde e assistência social.
“Não basta medir quantos estudantes estão matriculados. É necessário verificar quantos estão efetivamente aprendendo”, afirma.
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