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Estudantes planejam desocupar duas escolas em SP

De acordo com a Secretaria Estadual da Educação, outras duas unidades continuam ocupadas

Educação|Da Agência Brasil

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A E.E. Fernão Dias Paes foi desocupada na segunda-feira (4)
A E.E. Fernão Dias Paes foi desocupada na segunda-feira (4)

Alunos planejam desocupar, ainda hoje (7), duas escolas estaduais da zona oeste da capital paulista — a Manoel Ciridião Duarte e a Romeu de Moraes, ambas localizadas na Vila Ipojuca. De acordo com a Secretaria Estadual da Educação, outras duas unidades, a Anhanguera e a Godofredo Furtado, continuam ocupadas. No auge das ocupações, que ocorrem em protesto contra a reorganização escolar proposta pelo governo estadual, cerca de 200 unidades foram ocupadas.

Hoje pela manhã, uma comissão da Diretoria de Ensino acompanhou o início do processo de desocupação, que inclui uma perícia a ser feita pela Polícia Civil. O supervisor de ensino Flávio Dalera disse que os estudantes não serão pressionados.


— Vamos respeitar a decisão dos alunos, e acompanhar. Esse é o nosso papel. No tempo deles. Eles não desocuparam ainda, mas permitiram que nós estivéssemos aqui.

Dalera informou que a vistoria poderá ser acompanhada pelos alunos, mas não detalhou como funcionará na prática.


— Havendo uma depredação do patrimônio publico é necessária uma investigação. Não partiremos do princípio de que alunos depredaram, mas é necessário haver, legalmente, uma apuração se o patrimônio foi depredado ou furtado.

A reposição das aulas deve começar assim que a unidade for entregue. Os alunos terão de completar o cronograma escolar estabelecidos em 200 dias letivos. Para isso, haverá reposição até mesmo durante os sábados.


Limpeza

Nas duas escolas que estão sendo desocupadas hoje, a madrugada foi de faxina. A estudante Bárbara dos Santos Oliveira, do 2º ano do Ensino Médio da escola Manoel Ciridião Duarte, onde os alunos permaneceram por 45 dias, participou da atividade.


— Estamos entregando a escola totalmente limpa e organizada, a gente virou a noite limpando tudo. Muita gente nem dormiu.

Bárbara espera conseguir manter, após a devolução, os projetos desenvolvidos pelos alunos, como cultivo de plantas no jardim da escola e atividades como palestras, aulas especiais e prática de yoga.

— Vamos ver se florescem todas as coisas que a gente tentou implantar aqui, tudo o que agente tentou mudar. Espero que agora a gente consiga fazer uma escola diferente, que nos ensine a viver.

Gabriela Olivieri é estudante do 3º ano do ensino médio na escola Romeu de Moraes, onde a ocupação durou 42 dias. Vestibulanda, a aluna conta que foi beneficiada pelas aulas de professores voluntários de um cursinho pré-vestibular, que ensinaram física e química.

— Eu estava sem base nenhuma porque não tive física o ano inteiro e inglês tive meio período. Isso por falta de professor.

Além das aulas preparatórias, os alunos participaram de oficinas, aulas de sociologia, luta e dança.

— Aqui a gente aprendeu a viver em sociedade. Para o nosso crescimento, amadurecimento, foi um aprendizado maravilhoso.

Viviane Vernareccia, artista plástica, mora ao lado da escola e tem dois netos matriculados na unidade. Ela apoiou o movimento dos alunos.

— Achei que foi positivo, porque eles conseguiram o que estava sendo reivindicado. Se você não dá um grito para mostrar para os outros que realmente está faltando alguma coisa, como é que vão saber? Eu acho que falta muita coisa para a educação.

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Materiais não distribuídos

Os estudantes denunciam a existência nas escolas de materiais didáticos e outros produtos nunca distribuídos aos alunos. Na Manoel Ciridião Duarte violão, havia bolas, uniformes esportivos e papel para provas e trabalhos, informou Bárbara.

— Encontramos tudo isso nos armários e foi uma revolta muito grande. A gente expôs nas redes sociais e fez Boletim de Ocorrência contra a escola.

Os alunos da escola Romeu de Moraes encontraram tinta, apostilas, livros, antena de televisão, ventilador, bola e até bolinhas de pingue pongue, disse Gabriela.

— Os alunos tinham que improvisar com bolinha do desodorante roll on, sendo que a gente encontrou mais de 100 bolinhas lá. Tinha aluno que trazia bola de casa, porque as daqui eram péssimas.

O supervisor de ensino Flávio Dalera informou que os casos serão investigados.

— A escola tem a possibilidade de ter um almoxarifado com materiais de reposição. É verdade que os alunos têm direito de acesso ao material, estamos falando de uma escola com mil alunos, no qual o fluxo de materiais é constante. Óbvio que, havendo a denúncia, que deve ser protocolada, vai ser aberta a apuração prelimina.

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