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Inep discute nova matriz do Enem, mas mudanças ocorrerão a partir de 2028

Autarquia discute nova matriz alinhada à BNCC e garante que estudantes terão tempo para se adaptar às futuras mudanças

Educação|Lívia Veiga, da RECORD Brasília, e Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Inep está discutindo uma nova matriz para o Enem, alinhada à BNCC, com mudanças previstas apenas para 2028, dando tempo para adaptação dos estudantes e instituições.
  • A edição atual do Enem reforça sua função como avaliação da qualidade da educação básica, em articulação com o Saeb, e prevê uma avaliação censitária das instituições privadas.
  • Houve um aumento no número de inscritos no Enem, com destaque para a inscrição automática de alunos da rede pública e a predominância feminina entre os participantes.
  • O Enem continua sendo uma porta de entrada para o ensino superior e envolve uma grande operação logística, com medidas para facilitar o acesso e conforto dos estudantes durante a prova.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Brasília (DF) 07/10/2026 O professor Diogo de Andrade em sala de aula preparatória para o Enem  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Enem deste ano ocorre no próximo domingo (8) Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil - 7.10.2026

O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) iniciou as discussões técnicas para elaborar uma nova matriz de referência do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

A proposta, alinhada à BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e às diretrizes do ensino médio, está em debate com representantes das secretarias estaduais de Educação de todas as regiões do país, redes privadas de ensino e associações científicas.

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A informação foi apresentada pelo presidente substituto do Inep, Ricardo Cardozo, durante entrevista ao JR Entrevista, nesta quarta-feira (4), que vai ao ar às 22h30 na RECORD News. O programa também estará disponível no R7, nas redes sociais da RECORD e no RecordPlus.

Apesar das discussões sobre o futuro da avaliação, o instituto garante que não haverá mudanças no formato do exame nas edições deste ano e de 2027. Segundo Cardozo, qualquer alteração será implementada somente a partir de 2028, com divulgação antecipada para permitir a adaptação de estudantes, cursinhos e redes de ensino.

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“Quaisquer alterações que o Inep realizar no Enem vão ser amplamente publicizadas. Não vai ter alteração para esse ano? Não. Vai ter alteração para o ano que vem? Não. Então, qualquer alteração vai ser a partir de 2028, dando tempo para que todos que utilizam do Enem para qualquer uma das suas finalidades possam se preparar”, declarou.

“Quando você fala do Enem, nós estamos falando de um transatlântico. E um transatlântico muda de direção devagar”, acrescentou Cardozo.

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Retorno à função original

Além do planejamento de longo prazo, a edição atual consolida uma mudança na função institucional do Enem: o exame volta a atuar formalmente como instrumento de avaliação da qualidade da educação básica no país, em articulação com as diretrizes do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica).

Segundo Cardozo, diagnósticos do Inep apontaram que os estudantes demonstram maior engajamento ao participar do Enem do que nas avaliações do Saeb. Um dos motivos é o impacto direto que o resultado do exame pode ter na trajetória acadêmica dos candidatos, especialmente no acesso ao ensino superior.

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Outro avanço destacado pelo instituto é a possibilidade de produzir dados diagnósticos anuais sobre diferentes áreas do conhecimento, como linguagens, matemática, ciências humanas, ciências da natureza e redação.

A edição deste ano também prevê, pela primeira vez, uma avaliação censitária das instituições de ensino da rede privada em todo o país.

Inclusão social e perfil dos participantes

Nesta edição, o Inep registrou um aumento expressivo no número de inscritos em comparação com os anos anteriores. O total passou de 3,3 milhões em 2022 para mais de 5 milhões de participantes neste ano.

Uma das principais medidas adotadas para ampliar a participação foi a inscrição automática de estudantes concluintes do ensino médio da rede pública.

A iniciativa busca reduzir a diferença de adesão entre alunos das redes pública e privada. Em 2025, enquanto 93% dos estudantes da rede privada se inscreveram no exame, o percentual foi de 73% entre os alunos da rede pública. A presença efetiva nas provas, nesse último grupo, ficou em 54%.

O perfil dos participantes também revela predominância feminina. As mulheres representam 63,8% do total de inscritos.

De acordo com Cardozo, o cenário está relacionado à maior permanência das mulheres na educação básica e à busca por qualificação profissional.

“As mulheres estão procurando se qualificar mais para terem melhor oportunidade no mercado de trabalho. [...] As mulheres concluem mais a educação básica, elas evadem menos, elas abandonam menos, elas concluem mais a escolarização, e isso se reflete no exame”, afirmou.

Os resultados do Enem continuam sendo utilizados como porta de entrada para o ensino superior por meio do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), do Prouni (Programa Universidade para Todos) e do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).

A nota também é aceita por dezenas de instituições de ensino superior em Portugal e pode ser utilizada para a certificação de conclusão do ensino médio, desde que atendidos os critérios estabelecidos pelo Inep.

Megaoperação logística

O Enem é uma das maiores operações logísticas do governo federal. A aplicação mobiliza uma estrutura nacional e exige um ciclo de aproximadamente 14 meses de planejamento.

A operação envolve:

  • Aplicação em cerca de 1.900 municípios de todos os estados e do Distrito Federal;
  • Mais de 14 mil locais de prova;
  • Mais de 600 mil aplicadores e colaboradores;
  • Escolta e apoio da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e das secretarias estaduais de Segurança Pública;
  • Transporte das provas pelos Correios, incluindo rotas hidroviárias para atender regiões de difícil acesso.

Nesta edição, o Inep ampliou a quantidade de locais de aplicação para permitir que mais estudantes realizem o exame nas próprias escolas onde estudam.

Segundo Cardozo, mais da metade dos concluintes do ensino médio da rede pública fará a prova na instituição de ensino em que está matriculada.

“Mais de 50% dos estudantes concluintes de escola pública vão fazer o Enem na sua própria escola. Isso é mais um movimento do Inep, mais um movimento do Ministério da Educação para aproximar o Enem dos nossos estudantes [...] para o estudante estar mais confortável”, explicou.

Recomendações para os dias de prova

Na reta final de preparação, o Inep orienta os candidatos a consultar antecipadamente o Cartão de Confirmação de Inscrição, disponível no site oficial, para verificar o endereço do local de prova e planejar o deslocamento.

No dia do exame, é obrigatório apresentar um documento oficial de identificação com foto. Os participantes também devem utilizar caneta esferográfica de tinta preta, fabricada em material transparente, para preencher o cartão-resposta.

Como a prova tem duração de cinco horas, os candidatos podem levar alimentos e bebidas para consumo durante a aplicação, respeitando as regras de fiscalização.

Cardozo também destacou a importância de manter a tranquilidade durante o exame para conseguir um bom desempenho. “Além de ter o conhecimento, é muito importante ter um processo de tranquilidade para poder obter os melhores resultados desse exame”, afirmou.

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