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Prova da Fuvest chama atenção por atualidade e dificuldade em História

Especialistas destacam enunciados longos em exatas e duração do exame

Educação|Gustavo Basso, do R7

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Alvo de reclamação de alunos, a questão da Fuvest sobre a conquista do Império Inca foi avaliada como detalhista e exigente para alunos de Ensino Médio. A questão segue, segundo especialistas, o padrão da prova de História da primeira fase da Fuvest 2018, realizada neste domingo (26).

“Quando três professores refletem muito sobre uma questão, é porque há algum problema com ela. A disciplina foi mais difícil que em outros anos, e contrasta com física e química, que tiveram provas mais fáceis. Quando você analisa a prova inteira, é como se ela não fluísse”, avalia Paulo Moraes, diretor de ensino do cursinho Anglo.


Questão foi criticada por alunos e professores
Questão foi criticada por alunos e professores

Ele destaca o caráter da prova, que manteve o padrão de exigência histórico da Fuvest, focado mais em conteúdo do candidato contendo menos contextualização, diferentemente da prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Para o coordenador do cursinho Oficina do Estudante, Célio Tasinafo, a questão sobre os Incas surpreendeu os estudantes.


“Fazia muito tempo que não tínhamos uma questão de conquista da América, aí eles reclamam por não estar dentro das expectativas deles. Do mesmo jeito que os estudantes devem ter reclamado também que não caiu Revolução Russa”, comenta, lembrando da revolução comunista que em 2017 completou cem anos.

Tasinafo concorda com a distância mantida em relação ao Enem.


“Há uma contextualização maior em química e física, o que tornou os enunciados maiores, mas não é o padrão da prova como um todo. Não é possível dizer que é uma prova mais próxima do Enem, de jeito nenhum”, afirma.

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Ele diz que o tamanho dos enunciados nas disciplinas é contrabalanceada pela prova de linguagens, que segundo ele, aproveitou um mesmo texto para duas ou três questões. Para ele a dificuldade se manteve semelhante à de outros anos.


— Continua sendo uma prova difícil, trabalhosa, exigente. Tenho a expectativa que a nota de corte se mantenha no mesmo patamar.

Doutor em geografia, o professor Moraes aponta a atualidade da prova como um traço importante.

“A prova de inglês, por exemplo, tinha questões com um texto datado de agosto. Textos da revista Economist, do [jornal] The New York Times. Na prova de geografia mesmo havia uma questão que envolvia aplicativos e páginas de internet. Isso aproxima mais o candidato, que tem em média 17, 18 anos, da prova.

Para Moraes, o nível de exigência levaria o estudante a utilizar, em média, todos as cinco horas de prova para resolver as 90 questões de múltipla escolha de biologia, física, geografia, história, inglês, matemática, português e química.

O advogado Fernando Trincado afirma ter levado quatro horas para completar as questões. “Mas eu chutei todas as questões de química e matemática. Se tivesse feito todas as questões levaria cinco horas, com certeza”, diz. Prestando o exame pela quinta vez, para ele a tranquilidade faz diferença.

— Eu já estou formado, com um emprego, então não tive pressão. Tem muita gente boa, que sabe o conteúdo, mas fica nervoso e se atrapalha.

Paulo Moraes se queixa de um termo usado na questão 42 (prova V), onde o enunciado diz que “plantas bombeiam água do solo para a atmosfera”.

“O termo bombear pode ser usado numa conversa, mesmo no jornalismo, mas academicamente está incorreto. E isso não é preciosismo: o bom aluno, aquele que sabe os termos precisos, acaba vendo isso como uma pegadinha, e está passível de errar por conta disso”, diz.

No dia 18 de dezembro a Fuvest divulga os alunos convocados para a segunda fase, que será realizado ao longo de três dias, entre 7 e 9 de janeiro de 2018, e conta com provas de todas as disciplinas, disciplinas específicas, e redação.

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