Educação Saiba quem foi Tiradentes e qual foi o seu papel na Inconfidência

Saiba quem foi Tiradentes e qual foi o seu papel na Inconfidência

Feriado deste 21 de abril homenageia Joaquim José da Silva Xavier; veja os mitos e verdades que envolvem essa figura histórica

'Suplício de Tiradentes', quadro de Francisco Aurélio de Figueiredo: associação com imagem de Cristo

'Suplício de Tiradentes', quadro de Francisco Aurélio de Figueiredo: associação com imagem de Cristo

Wikimedia Commons

Tiradentes dá nome a cidade, avenidas, praças, estação de metrô e sua imagem está estampada na moeda de cinco centavos e em diversos quadros. Nesta quinta-feira, dia 21 abril, o feriado presta uma homenagem ao inconfidente Joaquim José da Silva Xavier, figura histórica cercada de mitos.

Para esclarecer esse período da história, o R7 entrevistou Mirtes Timpanaro, coordenadora de história do Colégio Rio Branco, e Felipe da Costa Mello, professor de história do curso pré-vestibular da Oficina do Estudante de Campinas (SP).

De acordo com Mirtes, com a Proclamação da República, em 1889, a imagem de Tiradentes passou a ser usada como símbolo de luta pela liberdade no Brasil, imagem necessária para a construção de uma ideia de nação. “Buscou-se um personagem branco, de uma ‘camada social não duvidosa’, para integrar o panteão dos heróis brasileiros”, explica. A ditadura militar também toma a figura de Tiradentes como o seu representante e inaugura o seu feriado.

"Lideranças do regime decidiram resgatar a imagem de Tiradentes como um herói pobre, humilde e que se sacrificou por um ideal. A imagem dos alferes foi modificada para existir semelhança entre o martírio de Cristo e o sofrimento do inconfidente e a criação de um feriado reforçou este ideal", complementa o professor Mello.

No entanto, a partir das Diretas Já, os historiadores começaram a desconstruir essa ideia de herói nacional. Para Mirtes, há um retorno à documentação que enfatiza aspectos não tratados em fontes anteriores e busca trazer uma visão mais comum de Tiradentes, menos mistificada. “Eu vejo Tiradentes como uma pessoa comum que apostou em uma saída violenta. Não deu certo, pagou com a vida e será eternamente revisitado e relido. Ele nunca quis ser um símbolo de nada”, diz.

Inconfidência Mineira

A Inconfidência Mineira foi um movimento rebelde, de natureza republicana e separatista, organizado pela aristocracia socioeconômica da capitania de Minas Gerais contra o poder colonial português e que demonstrou o descontentamento local junto a política fiscal praticada por Portugal.

Tiradentes, alferes, de origem humilde e descontente com o domínio colonial e por não ter sido promovido de posto, passou a integrar algumas reuniões secretas promovidas entre a elite mineradora. Marcado o início do motim para fevereiro de 1789, foram denunciados por Joaquim Silvério dos Reis e a conspiração não chegou a se concretizar.

“Após a delação, a Coroa portuguesa prende todos os envolvidos, incluindo Tiradentes, que passam por um julgamento de três anos. Somente o alferes teve sua sentença mantida, sendo enforcado e, em seguida, decapitado no ano de 1792, no Rio de Janeiro. O corpo foi esquartejado e cada parte colocada em diferentes trechos do Caminho Novo, para os súditos da Coroa nunca esquecerem a lição”, explicita Timpanaro.

Inconfidentes Mineiros

Os inconfidentes eram, em sua maioria, grandes proprietários, mineradores, padres e letrados. De acordo com o professor Mello, eles eram influenciados por ideais iluministas. "Contudo, não podemos afirmar que houve uma busca uniforme pela independência do Brasil, pois os revoltosos não tinham uma percepção de nação consolidada durante os acontecimentos", esclarece. Ainda, de acordo com ele, havia uma noção de ruptura, mas que envolvia a capitania de Minas Gerais e o Rio de Janeiro, sem incluir o resto do território brasileiro.

Outro ponto de destaque sobre a Inconfidência Mineira citado pelo professor Felipe Mello é que não podemos afirmar que este movimento separatista foi o mais importante do Brasil. "Outros movimentos separatistas tiveram destaque, podemos citar a "Conjuração Baiana" (1798), como uma rebelião importante no contexto colonial", conclui.

*Estagiário do R7 sob supervisão de Karla Dunder

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