Aécio diz que irmão de Dilma foi nomeado para prefeitura e "nunca apareceu para trabalhar"
Petista sugere nepotismo do tucano: 'Não pode ter uma irmã, um tio, três primos e três primas'
Eleições 2014|Do R7

A contratação de parentes de políticos eleitos para trabalhar na administração pública, prática conhecida como nepotismo, concentrou as atenções do segundo debate entre os candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), realizado nesta quinta-feira (16) pelo SBT, rádio Jovem Pan e UOL.
Após denúncias de que Aécio teria contratado a irmã, Andrea Neves, e outros parentes quando foi governador de Minas Gerais (2003-2010), Dilma perguntou ao tucano sobre a prática de nepotismo. Aécio disse que Dilma gostava "de falar de parentes", explicou que Andrea Neves o "ajudou muito" e "que é uma figura extraordinária".
Dilma passa mal após segundo debate na televisão
O tucano avisou que "ela assumiu o voluntariado de Minas Gerais" e que "ajudou a coordenar a comunicação" do Estado "sem remuneração". Na sequência, Aécio sugeriu que o irmão da presidente foi contratado para trabalhar na Prefeitura de Belo Horizonte (MG), mas não trabalhou efetivamente.
— Agora, candidata, a senhora conhece o senhor Igor Rousseff? É o seu irmão, candidata. Eu queria chegar nesse ponto. O seu irmão foi nomeado pelo prefeito Fernando Pimentel em 20 de setembro de 2003 e nunca apareceu para trabalhar. [...] A diferença entre nós é que minha irmã trabalha muito e não recebe nada. O seu irmão recebe e não trabalha nada.
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Na réplica, a presidente rebateu Aécio: "A sua irmã e o meu irmão têm de ser regidos pela mesma lei. Eles não podem estar no governo que nós estamos. O nepotismo eu não criei, é uma decisão do Supremo Tribunal Federal".
— Dentro do governo federal e dentro do governo do Estado de Minas, não pode ter uma irmã, um tio, três primos e três primas. O senhor tem de dar conta de todos, não só da sua irmã. [...] Todo mundo sabe que ela era responsável pela destinação das verbas em todas as questões relativas à propaganda.
Bafômetro
Dilma também levantou, de maneira indireta, o fato de Aécio Neves ter se recusado a fazer teste do bafômetro quando parado em uma blitz em 2011. A candidata insinuou o caso em uma pergunta sobre a Lei Seca e foi criticada pelo adversário.
— Tenha coragem de fazer a pergunta direta. A senhora traz nesse debate, talvez pelo desespero, e tenta deturpar um tema que tem que ser colocado com absoluta clareza. Eu tive um episódio sim, e reconheci, eu tenho uma capacidade que a senhora não tem. [...] A senhora não se arrepende de nada no seu governo. É importante que nós olhemos para frente.
O tucano pediu que a presidente tratasse de questões sérias e questionou por que ela mantém no cargo o tesoureiro do PT João Vaccari Neto, suspeito de receber propina no caso da Petrobras. Na réplica, a petista voltou a falar sobre a aprovação da Lei Seca.
— Eu acho muito importante a Lei Seca para o Brasil e acho que o senhor está tentando diminuí-la. Toda semana tem gente morrendo por acidentes de trânsito e porque o motorista dirige embriagado. Vamos tratar as coisas com mais seriedade. Acredito que ninguém pode, sem sofrer as consequências, dirigir nem drogado nem bêbado.
Temas recorrentes
Os dois candidatos também voltaram a falar sobre corrupção, inflação, violência e mobilidade urbana. Sobre as condições econômicas do País, Aécio questionou Dilma: "Você compra com o mesmo dinheiro o que comprava seis meses atrás? Não adianta você mascarar a realidade".
Dilma retrucou o tucano sobre a inflação: "Empregos vocês não podem falar. Vocês nos entregaram o País com 11,4 milhões de desempregados, só ganhávamos da Índia. Não vou combater com os métodos do senhor, que é desempregar, arrochar o salário e desinvestir".
Mais uma vez, sobre o Bolsa Família, Aécio reivindicou a paternidade do programa federal de repasses de renda, dizendo que o embrião do projeto nasceu no governo Fernando Henrique Cardoso. O tucano disse que, quando FHC saiu do governo, 5 milhões de famílias eram atendidas pelo programa.
Mas Dilma rebateu: "Pensa bem no que o senhor está falando. Vocês não fizeram Bolsa Família para 20 milhões de pessoas". Logo, em seguida, relembrou que cerca de 50 milhões de pessoas são atendidas atualmente pelo Bolsa Família no Brasil.




