Apesar de PSB entregar dois ministérios, Dilma deve fazer reforma somente em 2014
Analistas acreditam que troca de ministros vai depender da aliança política para as eleições
Eleições 2014|Carolina Martins, do R7, em Brasília

Mesmo obrigada a mexer no primeiro escalão de seu time, após a decisão do PSB de entregar os cargos que ocupa no governo, a presidente Dilma Rousseff não deve antecipar a reforma ministerial, planejada para o início do ano que vem. Essa é a opinião de especialistas ouvidos pelo R7, que avaliam que as trocas feitas agora serão pontuais.
Isso porque a grande reforma depende diretamente das alianças que serão firmadas para a campanha de reeleição da presidente.
Segundo o cientista político da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Ricardo Ismael, esse tipo de negociação leva tempo e envolve, entre outras coisas, os palanques estaduais de Dilma para 2014.
—Eu acho que é mais razoável imaginar que [a reforma] fique para o início de 2014. Agora é que Dilma está começando a conversar. Com a recuperação da popularidade, ela prova que continua competitiva e começa a ter um poder de barganha para negociações. E é uma negociação que envolve a equipe ministerial e os diretórios estaduais, então, não é rápida.
PSB
O PSB tem dois ministros no primeiro escalão: Fernando Bezerra no comando do Ministério da Integração e Leônidas Cristino à frente da Secretaria dos Portos.
Depois da decisão do partido de deixar o governo para lançar candidatura própria em 2014, Bezerra entregou a demissão, mas a presidente pediu mais tempo, antes de escolher o substituto.
No entanto, o professor de Ciências Políticas da UnB (Universidade de Brasília) Otaciano Nogueira, não acredita que essas trocas sejam um problema para Dilma. Segundo ele, a saída do PSB e a substituição de dois ministros não vão mudar o modelo administrativo da presidente.
— Isso não vai alterar a correlação de forças no governo, não vai alterar a administração da presidente nem a postura política dela. Se perde um [partido], busca apoio em outros. Isso não ameaça a presidente. Mudar titular de ministério faz parte da rotina do sistema presidencialista.
Ministros candidatos
Além de Bezerra e Cristino, pelo menos outros dois ministros do governo Dilma também estão com os dias contados no comando das pastas. A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, têm até abril de 2014 para deixarem os cargos, se quiserem disputar as eleições.
Gleisi deve ser candidata ao governo do Paraná e Padilha está cotado para concorrer ao cargo de governador de São Paulo. Segundo a legislação eleitoral, quem tem cargo público e pretende disputar as eleições, deve se desincompatibilizar até seis meses antes do pleito – que acontece em outubro.




